sábado, 5 de março de 2011

ENTREVISTA COM ALZIR ALVES DONO DO RASCUNHO STUDIO


Graças a Deus, hoje em dia, surgiram muitos estúdios
pelo Brasil afora, visto que antes eles se concentravam
apenas no eixo Rio\São Paulo. Na década de 80, mesmo
em São Paulo, era raro encontrar estúdios de arte e criação.
Naquela época remota existia, que eu me lembre,
o do Mauricio de Sousa, o do Ely Barbosa e o meu.
Com a popularização da WEB a coisa ficou mais fácil
 e mesmo artistas que residem e trabalham nas
mais remotas áreas do país agora fazem parte
 da aldeia global e muitos destes trabalham, hoje,
atendendo até editores de outros países.
Este é o caso do nosso entrevistado de hoje.
Ele é um dos grandes novos batalhadores e
incentivadores da arte seqüencial no Brasil.
 Aos poucos, ele foi conquistando amigos,
colaboradores, ministrando cursos, obtendo
clientes, no Brasil e no exterior,
 até se tornar o primeiro estúdio de HQs
de João Pessoa, Paraíba,
 grande e bela cidade do nordeste brasileiro.
Hoje, você, web leitor, vai conhecer um pouco mais
sobre o incrível trabalho que este bengala
friend vem desenvolvendo.
Eu estou falando de...


ALZIR ALVES

Diretor, Publicitário e Colorista do

RASCUNHO STUDIO


Sangue novo no mundo das HQs brasileiras
Tony 1 – É sempre bom fazer novos amigos,
 principalmente, quando estes novos amigos são inteligentes,
dinâmicos e empreendedores como vocês, Alzir e a Nívia.
É uma grata satisfação poder colher seu depoimento ––
através desta entrevista. Pode ter certeza.
 Grato pela colaboração. Podemos dar o pontapé inicial?

Alzir - Primeiramente obrigado pelo convite. É um
grande prazer poder falar um pouco sobre nós.
Obrigado também pelos elogios e carinho
para conosco.

Tony 2 – Estou aqui para promover e divulgar gente que
faz algo em prol das HQs nacionais, Alzir. E você é um
 desses guerreiros de fibra, que vem desenvolvendo um
 grande trabalho e o país precisa conhecer suas fantásticas
realizações. Vamos nessa... Como e quando surgiu
a idéia de abrir um estúdio fora do eixo Rio\São Paulo?
Outra coisa: A Nívia, sua grande parceira, é: sócia,
namorada ou esposa?

Alzir – Na verdade tudo começou através de
 um sonho pessoal de entrar para o mercado
 internacional de HQ.

Tony 3 - Acho que este é o sonho de muita gente. Continue...

Alzir - Então comecei a fazer contatos e obtive bons
resultados, conseguindo o meu primeiro trabalho
com desenhistas no Ronin Studio. Trabalhei em
uma edição chamada C.H.E.S.S...

Tony 4 – Se por um lado a WEB fez despencar as
vendas, como muita gente afirma, por outro, deu
oportunidade de muitos autores se internacionalizarem
e isto foi ótimo!

Alzir - A partir daí, começaram a surgir novos trabalhos
 e, procurei de imediato formar a equipe interna
do Rascunho, composta pela Ana Karla
Albuquerque (tradutora e Jornalista) e minha
 esposa Nívia Alves (Diretora administrativa e
 de agenciamento). Enfim, comecei a captação
de artistas e os trabalhos começaram a
fluir a cada ano. 

Tony 5 – Maravilha, guerreiro... A Nívia, sua esposas, é a
 editora administrativa e cuida do agenciamento, certo?
É ela que faz contato com as empresas, nacionais e
 internacionais?

Alzir – R: Sim. A Nívia Alves é a responsável por
 toda a parte de agenciamento junto com
a Ana Karla Albuquerque. Mas dividimos as
 cargas de agenciamento e atendimento aos
clientes. Ela cuida dos clientes internacionais
e eu dos clientes nacionais. Com ela a frente
 da parte administrativa eu consigo trabalhar
também como colorista aqui no Rascunho.



Dois jovens talentosos e empreendedores


Tony 6 – Gostei da infraestrutura, bengala friend... e
a mulherada tem, muito mais do que a gente, o pé no que se
refere a adminsitração. Que bacana... Acabei de descobrir
mais um casal 20 no ramo, além dos Maldonados,
do Jotah e a Sandra e do Ataide e a Neide... (Rsss...).
 Acho muito legal quando um casal compartilha dos
 mesmos sonhos, tem as mesmas afinidades...
acho que isto é o que podemos chamar de
“um casal perfeitamente antenado e entrosado”...
 Quais foram seus primeiros clientes, quando começaram?

Alzir – Essa é uma boa pergunta. (riso)...
Tivemos alguns autores americanos que não me
recordo o nome agora.  Mas começamos com as
editoras Monarch Comics, Ronin Studio, Atlantis
Comics, Moonstone Comics, Big Dog Ink, Jester
 Press, Interferon Force entre outras.
Além de roteiristas de projetos independentes.

Tony 7 – Nada mal... um grande começo... (Rsss...).
Quando surgiu a idéia de criar oficinas de artes visuais?
Acho isto muito importante, ensinar e incentivar
 os novos talentos...

Alzir – O objetivo maior em abrirmos as oficinas
e cursos de desenho aqui no Rascunho foi
para fazer a captação de novos desenhistas e
ilustradores e, dar oportunidade de profissionalização
à futuros  artistas aqui em nosso Estado.



Mestre Alzir em sua estação de trabalho

Tony 8 – Foi uma atitude acertada. Parabéns. Hoje,
 quais são os cursos que vocês ministram nessas
oficinas e quantos alunos, aproximadamente,
vocês têm?

Alzir – Aqui no Rascunho oferecemos cursos na
 área de criação de personagem, como fazer mascotes
 para usar na publicidade, histórias em quadrinhos,
nos estilos de Mangá, Comics e Cartoon.
E ainda temos curso de Caricatura e Charge,
aquarela, Arte final para HQ, curso de texturas,
equilíbrio da arte e muitos outros.

Tony 9 - Olha, fico feliz em saber disso... precisamos
 de mais gente empreendedora, neste país, como você...

Alzir - Estamos com uma média de 70 alunos por
período, sendo alunos a partir dos 8 anos até
a terceira idade. Também ministramos cursos
para  crianças especiais, estimulando o
desenvolvimento no processo de evolução
da coordenação motora e
 reprodução de imagens.



Alzir e Nivea, mais um Casal 20 no mundo das HQs

Tony 10 – Já vi que você e a Nívia levam a coisa a sério
e isto é excelente para os futuros artistas e
para as HQs Made in Brazil. Ensinam e
ao mesmo tempo dão trabalho àqueles que se
destacam nos cursos, muito legal isto... Pergunto...
Você e a Nivia falam inglês fluentemente?
Voces têm formação acadêmica? Não que isto tenha
importância, mas é sempre bom saber... (Rsss...).

Alzir – Não, nosso inglês é mediano. 
Como falei inicialmente, temos em 
nossa equipe a tradutora
Ana Karla Albuquerque que é responsável 
pelas traduções dos roteiros e textos. 
Quanto a minha formação sou graduado
 em Comunicação Social,
habilitado em Publicidade e Propaganda.
A Nívia está concluindo o curso
 de Economia pela UFPB.



Arte de William Medeiros\Rascunho Studio


Festa de confraternização realizada para os amigos
e colaboradores realizada no final do ano passado

Tony 11 – Olha a cada dia que passa eu fico
 cada vez mais encantado come esta nova geração,
 que tem gente como vocês, que têm cabeça, 
tem cultura. 
Graças a Deus a coisa está mudando. 
No passado o que faltava para a maioria
dos artistas nacionais era justamente isto, uma boa
formação cultural – em todos os sentidos – e uma visão
empresarial. É assim que as coisas vão para a frente...
O Brasil precisa de gente cabeça e empreendedora.
Sem estudar não se chega a lugar algum. Continuando...
Quando é que vocês decidiram começar a agenciar
 autores nacionais, para o Brasil e para o exterior?
E, como e quando fizeram o primeiro contato
 fora do país, via WEB?

Alzir – Então, até o presente momento não
agenciamos autores. O Rascunho vem 
agenciando apenas desenhistas,
 coloristas e finalistas.
 Tudo via WEB.


Um time de profissionais da pesada


Tony 12 – Entendi. Captei vossos “sinais de fumaça”,
 bengala friend...Que editoras nacionais vocês
 atendem, atualmente? Há pouco tempo atrás vi uma
chamada de vocês, na Internet, onde estavam solicitando
desenhistas de mangás. 


Alzir – Atualmente estamos atendendo 
editores que têm projetos e que 
contratam os artistas do Rascunho
Studio. Já tivemos parcerias com o Alex Mir,
 Rafael Tavares, Rafael Wambier, Allan Goldman,
 Gil Mendes entre outros. Também estamos
atendendo agencias de propaganda 
e trabalho com editoras 
como Editora Dynamic, 
Editora Grafset, entre outras. 

Tony 13 – Estrangeiras?

Alzir –Entre as editoras que já trabalhamos,
 estão: Monarch Comics, Ronin Studio, 
Atlantis Comics, Moonstone Comics, Big Dog
 Ink, Jester Press, Interferon Force, 
Zenoscope Entertainment,
 Chimaera comics, Mongoose
 Publishing e outras.
Tivemos testes com editoras, como:
 Image Comics, Dark Horse, Boom Studio
 e Avatar Press, entre outras.





Trabalho em execução, na tela do computador

Tony 14 – Sensacional... já que os editores tupiniquins
Não dão espaço pros artistas vocês deram um jeitinho e
Acabaram abrindo um grande leque de opções de editores
Internacionais. Deus salve a WEB... (Rsss...).
O povo quer saber (Rsss...)... Quantos funcionários
 o Rascunho Studio tem hoje?

Azir – Agenciados, equipe interna e professores,
 somam um total de 26 profissionais que prestam
serviço para o Rascunho.

Tony 15 – Beleza pura... estão agitando o mercado e
fazendo esses novos e antigos profissionais viverem
de sua arte. Genial. Os agenciados... você sabe,
 quantos são eles, atualmente, e de parte do país eles são?

Alzir – Sim, claro. Temos 22 artistas, sendo 
agenciados pelo Rascunho, distribuídos 
entre os Estados da Bahia,
Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro,
 Paraíba e Belo Horizonte.

Tony 16 – Olha que coisa incrível, Olga quanta gente
sendo beneficiada por este grande trabalho que você e
 a Nívia estão realizando...
 O grande mestre, Adauto Silva, ouvi falar 
que ele anda fazendo muito sucesso na Europa,
com HQs. Ele é um dos seus agenciados?

Alzir – Realmente podemos chamar Adauto 
Silva de Mestre.
 Eu posso dizer que me sinto muito honrado 
em agenciar o Adauto Silva. 
Ele é um dos artistas que 
temos por aqui... 
temos um grande carinho pela
sua integridade e humildade.
 O talento dele é incrível. 
É mais que um artista,
 é um profissional que completo. 
Tenho o prazer de chamá-lo
 de meu amigo.
Já fez vários trabalhos para o 
mercado americano e sou seu colorista
 em Witch Hunter # 4 e #5.

Tony 17 – Mestre Adauto... ele sempre detonou
 nas agências de publicidade e é bom saber 
que ele agora faz HQs, com vocês...
Olha, pra mim foi uma surpresa saber que o
intrépido mestre Emir Ribeiro também 
colabora ou colaborava com o 
Rascunho Studio.
Adoro esse bengala guerreiro, sempre 
polêmico e Sem papas na língua.
 Fala o que pensa e tem uma
Visão realista do mercado. Gosto disso. 
Eu o entrevistei
Também e o depoimento dele foi um dos 
mais lidos até Hoje. 
Ele desperta curiosidade dos web leitores
e tem muitos fãs, inclusive, eu... (Rsss...).
 Há anos realiza um gande trabalho.
Sou fã da Velta há um século... (Rsss...).
O homem é fera. Vocês se 
conhecem há muito tempo?

Alzir – Para nós é um prazer ter o Emir
 Ribeiro incorporado à equipe do 
Rascunho. Ele é um artista que tem uma 
longa estrada nacional e
internacional. Fiquei muito feliz quando
 ele me deu o prazer de fazer parte
 do nosso estúdio.
Conheço o Emir Ribeiro desde que era
 adolescente.

Tony 18 – É mesmo?


Arte do mestre Emir Ribeiro, colaborador 
do Rascunho Studio
Alzir - Ele já estava na estrada há algum
tempo com seus personagens nacionais.
 Acompanhei os seus trabalhos 
internacionais na época que
visitava o Deodato Filho (Mike Deodato Jr.)
 Acredito que os conheço desde 1993.
Eu delirava ao ver os trabalhos 
artísticos deles.
Isso sempre me motivava a 
desenhar e desejar
ser um profissional dos quadrinhos.
Sou fã de grande admirador.

Tony 19 – Deodato... taí outro grande talento
 nacional. Preciso entrevistar este bengala 
friend, também... Quer dizer que, o Deodato e 
o Emir, eles o inspiraram a entrar para o ramo,
 Alzir... que coisa boa... Olha, fico
feliz em saber que surgiram muitos agenciadores
 no país, gente empreendedora como você e 
a Nívia, que respeitam, antes de tudo, 
os profissionais.
Essas negociatas internacionais são feitas
diretamente com os editores de lá, ou são via
os David Campitis da vida, como fazem alguns
que eu conheço? Conhece o David?
Já falei com ele – no Facebook -, parece ser
boa gente. Uma hora dessas preciso entrevistar
mister David, também,a final ele ajuda a vender
os artistas nacionais no
 mercado americano... (Rsss...).


Alzir – Procuramos respeitar todos os 
profissionais e também os amadores. 
Vejo o Rascunho como uma nova opção para 
quem deseja iniciar no mercado.
 Todo dia recebo dezenas de amostras
 de artistas, por e-mail. E sempre avaliamos 
de forma individual cada uma, procurando
 sempre dar dicas para
melhor crescimento de cada artista,
 visando sempre à qualidade no material.
Tive o prazer de assistir uma palestra com
 David Campiti (João Pessoa-PB), 
através do Deodato.
Mas o nosso agenciamento não tem vínculo
 com nenhum outro agenciador.


Cores espetaculares
Tony 20 – Hélcio de Carvalho (da Mythos
editora), ele 
foi o pioneiro em agenciar artistas 
tupiniquins lá fora, na década de 90. 
Foi graças a ele que os desenhistas nacionais 
puderam entrar nas pequenas,
grandes e médias editoras. 
O cara, de fato, merece uma medalha, abriu
 portas, pôs muita gente na Marvel e
na DC, além de outras. Enfim, deu 
“emprego” para muita gente. 
Mesmo assim, tem alguns pentelhos que
metem o pau nele. Parece que sempre
 existirão os insatisfeitos, aqueles que
 acham que estão sendo explorados, etc. 
Já senti isto na pele, quando meu
estúdio agenciava autores nas editoras 
paulistas, na década de 80 e 90.
 O que você acha sobre esses
 “ espíritos revoltados”? (Rsss...). Jamais 
vamos agradar gregos e troianos, é óbvio...

Alzir – Eu particularmente tiro o chapéu 
para o Hélcio de Carvalho. Tenho uma
 grande admiração pela atitude dele em 
ter sido o desbravador do
 mercado de desenhistas lá fora.
Se não fosse por ele muitas coisa não
 existiriam hoje.

Tony 21 – Disse tudo...

Alzir - A respeito de insatisfação de algumas 
pessoas, não tenho como falar... porém 
posso falar o que percebo hoje como
 agenciador.
Quando alguém procura ser agenciado,
tem que ter a consciência que o 
processo inicial será igual para todos.

Tony 22 – Também acho, mas tem alguns “vedetes”
que se acham bons de mais para se sujeitarem
 aos testes iniciais... esses caras são ridículos...
 (Rsss...). Pois, mesmo que alguns desses 
cidadões sejam “estrelas” no Brasil, eles têm 
que convir que lá fora não são reconhecidos 
como  tais e que por isso precisam ser
 fazer os testes preliminares
para que os editores estrangeiros possam 
conhecer, avaliar suas artes e possivelmente 
contratar seus serviços...

Alzir -  O artista terá que se submeter
a teste para apresentação de portfólio 
juntos aos agenciadores e editores. 
Isso fará com que os clientes vejam a 
capacidade profissional destes,
em relação ao cumprimento de prazos,
qualidade no trabalho e potencial.

Tony 23 – Um aparte, mestre... um agenciador
também tem que ganhar, é óbvio... também
tem contas à pagar e tá fazendo o trabalho dele.
Uma vez li, não sei aonde, um pensamento que
me marcou muito... era algo mais ou menos assim...
“Qualquer idiota pinta um quadro, mas só um gênio
consegue vendê-lo”...
Achei duka, isto... a parte mais importante de
Qualquer empresa é o departamento de vendas,
Pois gera receita. Sem um bom vendedor não
Adianta fabricar ouro, pois vai ficar
 encalhado... (Rsss...).
Preciso dizer mais alguma coisa?
Tem hora que não entendo essa
gente... sem editores e agenciadores esses
artistas não são porra nenhuma. Será que não
percebem que ninguém faz nada sozinho? 
Que precisamos uns dos outros? 
Cada um na sua especialidade...
 um é bom em roteiro, outro em
rabiscos e outro em vendas... 
com a perfeita sinergia dos três surgem 
bons negócios.
Além do mais, a maioria dos artistas que 
conheço são péssimos vendedores 
de sua arte, esta é que é a verdade.

ALzir - Um ponto principal e bastante 
relevante para um artista que se submete
 a algum teste é procurar entregá-lo completo, 
porque nenhum agente
e nenhuma editora avaliam 
testes incompletos.

Tony 24 – Com certeza...

Alzir - Em todos estes anos de mercado 
eu já vi de tudo um pouco, tanto por
 parte de clientes como por parte de 
artistas e, sei que a responsabilidade
 de contratação está em ambas às partes. 
Antes de criticar algo, procure
estudar cada situação para não agir com
injustiça em qualquer comentário.
Pois o agenciado é a peça fundamental no
processo de aprovação ou reprovação de
um trabalho. Nenhum editor vai colocar um
profissional ruim para agradar o agenciador.
Os editores estão interessados em qualidade
de trabalho para que isso se reverta em
números de vendas.



Série produzida no Rascunho Studio 
e publicada na América

Tony 25 - Leram isto, autores? 
Obviamente os agenciadores ficam 
bem no “meio do tiroteio”... são vocês,
 agenciadores, que fazem “a ponte” entre
os artistas e o clientes e são os
 responsáveis pelo desenvolvimento e 
entrega do produto.
Quando um autor “pisa na bola”,
 fura o prazo, a bomba estoura no rabo
 de vocês. Isto já aconteceu
comigo. Nego furava e aí quem 
levava a bronca era eu. Tô fora. 
Tem muita gente irresponsável.
É fria. Aliás, editor nacional é 
cabreiro com os autores
tupiniquins por causa 
das mancadas.
Poucos respeitam os prazos.
  Prossiga, Alzir...
 desculpe-me, mas certas coisas devem
ser ditas “na lata”...

Alzir - Eu sempre falo para os agenciados,
 que o Rascunho Studio é a ponte para 
trabalhos, onde só fica no mercado 
aquele profissional
que mostra o seu diferencial.

Tony 26 – Disse bem... Eu não tenho 
nada contra quem agencia ou quem 
trabalha para o exterior.
Afinal, todo mundo tem que ganhar,
 tem que sobreviver. Se o campo 
de trabalho por aqui é
mal remunerado é preciso
 buscar alternativas... mas, também 
acho que precisamos ter títulos novos
nacionais nas bancas. 
Caso contrário os quadrinhos
brasileiros nunca serão fortes
 e acabarão morrendo. 
Qual é a sua particular
opinião sobre isso?

Alzir – Nosso problema ainda é
 cultural, sem falar que os editores 
locais temem
fazer quadrinhos nacionais 
por conta do risco.



Show de cores em mais uma série 
Made in Brazil
Tony 27 – Ué? Mas, o editor estrangeiro
também não corre risco, quando lança 
um novo título?
Tudo na vida tem um risco, bengala friend...
Ninguém tem bola de cristal, a gente nunca
Sabe se um título vai pegar ou não... (Rsss...).
Isto não é desculpa, eu acho...

Alzir - Acredito que hoje temos artistas, 
roteiristas, coloristas de mão cheia. 
Podemos olhar para todos os lados que 
só vamos encontrar gente se
destacando no mercado internacional.
Agora falta é alguém de visão para tomar a
frente disso. Eu acho que as editoras 
deveriam fazer como no Japão. 
Comprar as franquias
e redesenhar os quadrinhos por aqui...
isto geraria bastante emprego.
 Isso motivaria o consumo de quadrinhos 
desenhado por brasileiros e sem 
falar que todos teriam
 certeza que isso é profissão 
em nosso país.

Tony 28 – É uma alternativa... isto geraria emprego,
 mas o drama continuaria sendo as HQs autorais...

Alzir - A respeito de trabalhar para fora, posso
dizer que todos os profissionais tem família
 e sonhos. Muitas vezes não acho correto as
criticas em relação a isso. É um trabalho
 como outro qualquer, que merece o
reconhecimento de todos.

Tony 29 – Sem dúvida... A seu ver, por que as HQs
nacionais não vingam? Faltam boas histórias?
Bons desenhistas? Ou faltam editores
dispostos a investir nelas?

Alzir - O que falta hoje em nosso país é
 investidores que acreditem neste mercado,
mesmo por que profissionais gabaritados não
faltam nesta área. Podemos perceber que
o talento é tão grande por parte destes
artistas que vemos o sucesso dos
brasileiros explodindo nos EUA.
Nosso Brasil tem um problema cultural
 muito sério em não criar dentro de seu
território novas fontes de empregos.
A arte é uma profissão que 
merece ter seu espaço.
Outro ponto bastante relevante é a mídia.
Infelizmente não temos divulgação dos
 trabalhos que são publicados 
aqui no Brasil.
Há uma supervalorização dos trabalhos
 internacionais, o que ofusca totalmente
os projetos e trabalhos criados pelas
editoras e autores do nosso país.

Tony 30 – Isto é fato... No estúdio de vocês,
 o pessoal trabalha em equipe ou individualmente?

Alzir - Tudo vai depender do tipo de trabalho
e principalmente da editora. Sempre tentamos
apresentar o desenhista com o colorista.
Mas o martelo final é do cliente.

Tony 31 – Webcomics... é a grande solução
final para as HQs?

Alzir – Eu, particularmente, gosto muito 
do material impresso. Gosto muito do
 cheiro do papel (riso),
quando pego uma HQ em minhas mãos.
Porém, com a tecnologia cada vez mais
crescente em nosso dia a dia, acredito
que as novas gerações vão se fixar cada
vez mais nas HQs digitais, aumentando a
demanda no material online.
Mas não vejo isso como a solução final.



Arte: Celso Ricardo - cores: Alzir

Tony 32 – Ouvi dizer que o Mauricio de Sousa 
elogiou os cursos de vocês no Twitter,
 que beleza...
como ele tomou conhecimento desses
cursos maravilhosos?

Alzir – O Mauricio de Sousa é para todos 
nós um retorno a infância. Tenho o 
prazer de seguí-lo no Twitter. 
Então uns amigos tiveram
dúvidas sobre como fazer as amostras 
para enviar ao MSP. Como fiquei 
sabendo que o Maurício abriu vagas no 
MSP, tomei a liberdade de 
chamá-lo no twitter. 
Ele, como sempre, muito
atencioso, me respondeu de imediato, 
assim como o Sidney Gusman, que 
também me respondeu de imediato. 
Aproveitei a oportunidade para 
apresentar o Rascunho e sem ao menos
esperar, fui surpreendido com o um elogio
do Maurício de Sousa. Posso dizer que
foi um grande presente neste ano de 2011.

Tony 33 – Taí um ciudadão que preciso
Entrevistar,a final, ele é o Disney nacional,
Ele é o pai de todos nós... (Rsss...). Vamos nessa...
Quais são os cursos específicos que
vocês ministram, hoje?

Alzir – Estamos voltando a todos os
 cursos que os alunos procuram aqui em 
nosso Estado. Entre eles são: Criação de
 Mascote, Arte Conceitual, Texturas de 
elementos, Histórias em Quadrinhos,
 Anatomia, Movimento, Luz &Sombra,
 Arte-Final, Narrativa, Curso de Pintura
em Aquarela entre outros.

Tony 34 – Há cursos online, também?

Alzir – Não, mas sempre recomendo o
 curso online do meu amigo e grande
desenhista Sebastião Seabra.

Tony 35 – Grande bengala brother, Sebá... mestre
 Seabra é gente fina e tá fazendo um grande curso.
 Quais são os tipos de quadrinhos mais
requisitados para o mercado externo?
Mangá ou super-heróis?

Alzir – Os estilos ainda são mais 
super-hérois. Mangá é muito requisitado, 
também. O maior foco é Comics no 
estilo Marvel, DC Comics, etc...

Tony 36 – Você faz pinturas digitais, é um colorista,
um expert no assunto. Vi seus trabalhos no site
 e adorei. Nunca desenhou ou tentou desenhar?

Alzir – Eu sou desenhistas e amo desenhar!
Depois que comecei a realizar o trabalho
com cores, meu tempo ficou muito limitado,
tendo que parar de desenhar.
Hoje desenho apenas para
 os meus alunos.

                                  Tony 37 - Conheci o maravilhoso trabalho de vocês
pela Internet e achei fantástico tudo o que vêm
fazendo aí na sua região. Estão ministrando aulas,
ensinando uma bela profissão, encaminhando jovens,
agenciando artistas, isto é digno de reconhecimento.
 Voces são campeões e bravos guerreiros.
Fizeram tudo isto sozinhos? Do nada?
Digo, sem qualquer ajuda dos órgãos
oficiais estaduais?

Alzir – Com certeza.  Sem nenhuma ajuda
financeira de órgãos públicos. Tudo com
investimentos e recursos próprios.
 Até por que sempre desejei ter a liberdade
de fazer o que desejava. Mas se um dia
aparecer patrocinadores será um grande
prazer. Estou sempre disponível a
conversar e analisar boas propostas.

Tony 38 – Cadê os empresários locais dispostos
A investir em arte? Isto, sem dúvida, iria facilitar
as coisas pra vocês. Qual é o endereço,
telefone, site, blog, e-mail, do estúdio?
Aposto que muita gente vai querer entrar em
Contato, depois desta esclarecedora entrevista.


Durante a festa de confraternização os colaboradores do
Rascunho Studio provaram que são bons de arte e
bons de garfo, junto com suas namoradas 
e esposas 
Alzir – Rascunho Studio
Emp. Center Ssul  R. Santos Dumont, 120 - 
1º Andar: 212 - 
Centro - F.: (083) 3223-1316 / 8833-3791 
CEP: 58013-170 - João Pessoa/PB

E-mails:
rascunhostudio@hotmail.com 

Skype :
 rascunho.studio
Nossos links :
Orkut
Facebook
Portal do Ilustrador


Quando as feras se encontram

Tony 39 – Espero que isto lhe traga um bom retorno de
Potencial artístico, bengala brother... prosseguindo...
Antes de abrir o Rascunho Studio você e a
 Nivia faziam o quê?

Alzir – Trabalhei em agencias de publicidades e
editoras aqui no Estado. Atualmente ainda sou
 colorista pela Editora Grafset. A Nívia Alves
trabalhava no setor administrativo e financeiro
de uma editora aqui em João Pessoa.

Tony 40 – Qual é a dica que você pode
 dar aos iniciantes?

Alzir – Primeiramente, investir no 
aprendizado e praticar bastante. 
Depois escutar todas as dicas,
 críticas e elogios de profissionais.
Uma coisa importante é sempre enviar 
amostras de trabalhos, porém, selecione
 só os seis melhores trabalhos.
 Nunca fique se justificando
 do trabalho feito para o profissional que
está lhe avaliando. 
Aprender a escutar e depois
executar as dicas é sempre o primeiro
grande passo. Críticas neste mercado 
não faltam. Mas é preciso saber 
que elogiam também existem. 
Enfim, é preciso
perseverança e muita dedicação.

Tony 41 – E para aqueles que desejam ser
agenciados, publicar lá fora?

Alzir – As dicas são as mesmas: 
praticar muito e sempre fazer páginas com
 narrativas. Assistir filmes,
olhar quadrinhos e etc. 
O artista deve compreender
que quando um agenciador passa um 
teste, este já estará lhe avaliando.
 Então, trabalhe como um profissional e
 respeite todos os prazos.




Tony 42 – A primeira pessoa que me falou de vocês,
se não me engano,  foi o bengala friend Carlos Henry...
parece que ele chegou a trabalhar com vocês,
 como contato. Foi isso? E hoje ele
 virou concorrente? (Rsss...).
Acho isto normal, muita gente que começou
comigo 
hoje tem seus próprios estúdios. 
Isto é normal...

Alzir – (Riso) Ele foi uma pessoa que me
 ajudou no início do Rascunho. Mas não 
somos concorrentes não, muito pelo contrário,
 somos amigos até hoje
e sempre trocamos idéias quando ele aparece
aqui no Rascunho.

Tony 43 -  Quantas páginas, atualmente, vocês
chegam a produzir por mês, para editores
nacionais ou estrangeiros?

Alzir – Isso é muito relativo. Depende de cada
 projeto que fazemos. Mas a média por
 artistas são 22 páginas por mês

Tony 44 -  Planos para este ano? Alguma meta?

Alzir – Temos vários, mas ainda não podemos
divulgar. Estamos aguardando grandes 
contratos para os nossos artistas. 
Sobre o Rascunho
Cursos, nossa meta é trabalhar ainda
mais e melhor para o mercado.



Tony 45 – Uma última pergunta que, com certeza,
muitos desenhistas de HQs devem estar curiosos
para saber...obviamente os preços pagos por
 cada editora depende do seu porte ou do tipo
 de trabalho à ser executado, correto?
 Mas, em média, quanto é que 
uma editora, lá de fora,
 paga por uma página de quadrinhos,
 tipo super-heróis ou mangá?

Alzir – O fator financeiro sempre 
fala mais alto em uma profissão. 
Os valores são sempre
relativos por cada tipo de trabalho.
Temos clientes que pagam por página de
 $50 à $250. O valor de uma página é pago
 pelo valor que o artistas tem no mercado.
Quanto mais o artista for reconhecido mais
ele ganha. Tem artistas que recebem por
página em torno de $ 800. Mas para se
chegar a este valor, tem que se trabalhar
muito e fazer sempre o seu melhor para
ser reconhecido como muitos
 profissionais de hoje em dia.

Tony 46 - Alzir e Nivia Alves , meus 
queridos bengalas friends, foi muito
 bom tomar conhecimento da existência
 de vocês e do trabalho incrível que
 vêm realizando aí na Paraíba. 
Que Deus ilumine sempre esse
espírito guerreiro, seu e dela, e de 
todos os seus colaboradores.
 Afinal, um país precisa
de empreendedores, gente com 
fibra, com garra.
Gente que faz sonhos virarem realidade,
como vocês. Grato pela atenção, por esta
maravilhosa e elucidativa entrevista. Muito
sucesso e vamos em frente! Há muito o que
fazer ainda.  Considerações finais?


Alzir – Agradeço muito a Deus por
 todas as conquistas e amigos que
 conquistamos todos os dias. 
 Agradecemos o seu convite
em poder participar dessa entrevista tão
legal e bem elaborada. Agradecemos à todos
os artistas, alunos e clientes que fazem
tudo isso ser possível a cada dia.
Grande abraço a todos de
 toda família Rascunho!



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