quarta-feira, 26 de abril de 2017

HQs E SUAS MULHERES OUSADAS!


AS MULHERES OUSADAS 
DAS HISTÓRIAS 
EM QUADRINHOS

O cinema e as histórias em quadrinhos
 do passado sempre apresentaram mulheres
 frágeis, submissas e que dependentes 
de seus parceiros viris e corajosos sempre 
dispostos a distribuir porradas quando 
sua donzela estava em perigo. 
Raras vezes a figura feminina, 
principalmente,
 nas HQs exalavam sexappel,
eram bem comportadas.

Isto ocorria porque as mulheres eram, 
socialmente falando, totalmente 
dependente dos homens que se
 esforçavam para prover a família 
enquanto elas cuidavam das casas
 e crianças. Outro fator determinante 
no comportamento feminino nas
 primeiras HQs é que inicialmente
 esse material era focado
 no público infantil.
A primeira, digamos, gracinha deliciosa 
e assanhadinha dos quadrinhos 
apareceu nas tiras de jornais 
do casal Pafúncio e Marocas. 
A garota, que era filha deles, 
vivia caçando namorados.

No Brasil, o primeiro a fazer 
garotas insinuantes foi Ângelo Agostini, 
que iniciou sua carreira de cartunista
 no século XIX (foi um pioneiro no país) 
e suas sátiras visavam 
sempre o público adulto.








Entretanto, a produção dos primeiros
 trinta anos das histórias em
 quadrinhos, series como Flash 
Gordon, O Fantasma, Mandrake, 
Superman e outras apresentavam
 sempre as mulheres como
 coadjuvante ou como vilã. 


Atualmente, a sensualidade das
 personagens femininas das HQs
 aflora e desenhistas e editores 
se esforçam para atrair a atenção
 do público jovem com super-heroinas
 e vilãs deliciosas. Vide Bat girl, 
Mulher-Gato, Mulher-Maravilha 
e outras. Mulheres sexies são
 fundamentais nas novas
 series criadas a partir do século XX.









AVENTURAS COM

MULHERES DELICIOSAS


A primeira serie de quadrinhos de aventuras
 publicada nos jornais dos Estados Unidos 
se chamava Wash Tubbs (Tubinho, no Brasil)
 e apresentava figuras femininas com
 corpos bem torneados e estonteantes, 
apesar delas serem baixinhas e gordinhas,
 conforme a idéia de padrão de beleza 
daquela época remota. A arte era de Roy Crane,
 um texano, que após ter passado por 
diversas escolas de arte acabou ingressando
 na marinha. Nas horas vagas criou Wash 
Tubbs, porém só em 1924 ele conseguiu
 realizar um velho sonho: se tornar autor 
de uma serie de aventura continuada, 
quando fechou contrato 
com o Chicago Tribune.






Crane adorava desenhar mulheres roliças, 
gostosas. A serie criada por ele foi um
 sucesso, principalmente depois que 
ele acrescentou a ela um novo personagem
 Capitão Easy (Capitão César, no Brasil), 
que acabou virando o 
personagem principal.




Crane foi inovador e ousado, porque foi 
primeiro artista da América a fazer 
mulheres sensuais.
Convém frisar que antes do surgimento 
das revistas em quadrinhos nos Estados
 Unidos haviam as chamadas revistas
 pulps, que eram baratas impressas
 em papel de péssima qualidade, como: 
Amazing Detective, Police Cases etc. 
 Muitas delas traziam desenhos 
considerados ousados de
 mulheres seminuas.





A PRIMEIRA MODELO

OUSADA


Mas saiba que... A modelo Betie Page foi a 
primeira mulher a aparecer de calcinha
 mostrando os peitos nesse tipo de
 publicação. Durante a segunda Grande 
Guerra Mundial (1939-1945) Betty virou a
 pin-up predileta das tropas inglesas e 
até foi considerada “A arma secreta
 britânica”, por estimular as tropas
 fazendo shows para os soldados do front.




Enquanto ela percorria o front outra atriz 
interpretava Jane nas casas de
 strip-tease numa película cinematográfica
 chamada The Adventures of Jane em 
1949, no primeiro filme que mostrava
 uma mulher ousada. Mesmo assim Betie 
Page, em carne,osso e curvas,  superou
 Jane, se tornou tão popular que acabou 
virando a grande musa erótica do pós-guerra.


PIONEIRISMO E 

SENSUALIDADE

NAS TIRAS DE 

JORNAIS INGLESES

A primeira serie de tiras picantes produzida por
 um britânico chamava-se Jane’s Jornal – 
Or The Diary of Bright Young Thing 
(no ganhou o título de Brasil Jane Pouca Roupa).
A personagem foi inspirada na atriz Claudette
 Colbert estreou no Daily Mirror
no dia 5 de dezembro de 1932,
 causando muita polêmica.

A tira de jornal, que provocou protestos 
findou em 1959, porém, suas aventuras
 já estavam bem mais românticas 
do que maliciosas.
A tira de jornal inovadora que apresentava
 uma personagem cheia de sensualidade
 e que provocou veementes protestos
 inicialmente findou em 1959, porém, suas
 aventuras foram amainando com o 
tempo e já estavam bem mais
 românticas do que maliciosas.



A SENSUAL BETTY BOOP




Max Fleischer, um desenhista de animação
 que era o principal concorrente de Walt Disney, 
na época, criou em 1929 (quando iniciava o
 cinema de animação) Betty Boop.
 Devido ao sucesso da cabeçuda sensual 
alcançado nas telas em 1934 ela migrou 
para os quadrinhos, para as tiras diárias 
e para as páginas dominicais. 
A personagem aparece como uma atriz
cinematográfica de cabelos escuros e olhos
 arregalados, cintura fina e coxas roliças,
 sempre a mostra. Suas aventuras eram
 uma sátira das estrelas dos 
primeiros anos da Meca do cinema, 
Hollywood. 

A personagem que era
 altamente erotizada foi criada baseada
 na cantora Helen Kane, que ao
 se ver caricaturizada
 decidiu mover uma ação judicial 
contra Fleischer.



Em novembro de 1938, a charmosa
 personagem que
provocou muitos protestos sumiu 
das HQs e seus desenhos
onde ela sempre aparecia com pouca 
roupa também não foram mais exibidos
 devido a protestos da Liga da Decência.
Porém, a personagem virou cult. 
Nos anos 60 seus desenhos
e HQs voltaram a ser reprisados e ganhou
 dois longas cinematográficos.
 Desapareceu de vez da mídia.
Ainda hoje a sedutora vedete Betty Boop
 é reconhecida e reverenciada 
em diversas partes do mundo.



A DEUSA DOS PRACINHAS
 AMERICANOS

Uma morena esguia, altamente sensual, linda, 
de corpo perfeito, fingindo inocência, usando 
vestido justo e decotado fez a cabeça 
dos soldados da América. A personagem,
 Miss Lace (Senhorita Redá de Seda) 
foi criada por Milton Caniff, o mais badalado
 autor de HQs, do pré-guerra, criador
 da serie Terry e Os Piratas).









 Lace de vez em quando também aparecia 
em trajes íntimos e isto enlouquecia os fãs
 daquela serie de tiras de jornais.
Miss Lace foi criada em 1942 por
 encomenda do Camp Newspaper 
Service, que atuava como a imprensa
 militar americana durante a 
Segunda Grande Guerra Mundial.
Outras personagens como Lace, 
Burma e Lady Dragão
povoaram a mente de uma geração 
devido a sensualidade
delas. Os desenhos de Cannif eram 
pregados nas paredes
dos alojamentos militares ao lado de fotos
 de atrizes como Betty Grable, Lana 
Turner e Rita Hayworth, que eram 
símbolos sexuais daquela época.




Enfm, todos se apaixonavam pelas 
mulheres desenhadas por Cannif. 
Os soldados batizaram a serie de Male 
Call (Instinto Masculino).
 Essas tiras semanais que se
tornaram clássicas foram publicadas 
em mais de 2 mil
jornais pelo mundo afora.

OCTOBRIANA






Esta personagem surgiu no início 
dos anos 60. Octobriana
era um mulheraço de pele bronzeada, 
cabelos loiros, olhos negros e agressivos, 
seios grandes, ancas largas e pernas per-
feitas. Em sua testa havia o símbolo do
 comunismo russo: uma estrela de cinco
 pontas. A personagem que era expert
em lutas corporais e perita em armas 
representava os membros do PPP
 (Pornografia Política 
Progressiva) da cidade de Kiev, 
segundo os  autores.

Em 1971, foi publicado na Inglaterra um 
álbum de quase 200 páginas chamado
 Octobriana and The Russian Underground.
Foi assim que os leitores do Ocidente 
tomaram conhecimento
a heroína mais sensual das HQs pro-
duzidas na Rússia.

Tempos depois descobriram que o 
tal PPP foi idealizado por um grupo
 de estudantes, intelectual não-ativista,
aliado e dissidentes russos. Entretanto, 
Octobriana jamais foi publicada em seu
 país de origem, a União Soviética.

Há quem diga que as HQs da deliciosa
 personagem editadas
em solo russo eram panfletárias ou que
 saiam numa revista clandestina chamada
 Mtsyry, não tinha balões ou diálogos e
 ironizava os imperialismos 
soviético e americano.
Na Inglaterra suas HQs tinham roteiro, 
em geral, bem humorado.
A personagem representava a liberdade
 e a revolta dos países do Leste
 europeu contra os imperialistas
 que após derrotarem os nazistas deci-
diram dividir o mundo em dois blocos:
 um socialista e outro capitalista.
    

BARBARELLA



Enquanto os quadrinhos da americanos 
eram cada vez mais infantis, devido ao 
famoso código de ética, na Europa os 
produtores de HQs se empenhavam em 
desenvolver temáticas mais adultas.
 Assim surgiu Barbarella, criada por Jean-
Claude Forest, baseando-se na musa mais
 sensual do cinema francês, Brigitte Bardot. 
Esta personagem apareceu em apenas 
três álbuns a saber: Lês Colères du Mange
 Minutes (1968) e Lê Semble-Lune (1977).
 Ela foi a primeira musa dos quadrinhos 
eróticos.



 A principal temática de suas aventuras 
altamente sexuais era o futuro.
 Vivia num planeta distante e inóspito.
Jean-Claude criou a personagem em 1962, 
Ela foi a primeira mulher heroína das HQs 
mundiais que se entregava sem pudor para 
seres alados, cruéis vilões e até para um 
robô. Barbarella, uma HQ feita para adultos,
apesar de não apresentar cenas de sexo
 explícito, revolucionou o mercado
mundial do cinema e das
histórias em quadrinhos.




Na França ela foi publicada em 1964 
e no Brasil em 1968.
No cinema a personagem
 ousada e sensualíssima
foi interpretada por Jane Fonda.



   

LITTLE ANNIE FANNY


Certa feita, o cartunista Harvey Kurtzman, 
após tentar inúmeras vezes criar uma 
revista que pudesse obter o mesmo sucesso 
de sua criação máxima, Mad, em parceria com 
outro desenhista da Mad, Will Elder, criaram 
Little Annie Fanny (Aninha - a Engraçadinha).

A personagem foi baseada num clássico
 dos quadrinhos americanos, que foi adaptado
 para o cinema e em peças teatrais: 
A Pequena Órfã.
A nova personagem foi publi-
cada pela primeira
 vez em 1962 na revista Playboy americana. 
No Brasil, infelizmente, a serie começou a 
ser publicada também na versão nacional 
da referida publicação dedicada ao público 
masculino, porém a serie foi interrompida
 devido a problemas com direitos autorais.




As HQs da erótica Little Annie Fanny, 
que geralmente aparecia nua exibindo seios
 fartos,  eram um misto de humor, sensualidade 
e crítica social. A fórmula deu certo e o
sucesso foi estrondoso e a serie 
destinada ao público
adulto tornou-se um clássico do gênero.
Mas, na época, mostrar a genitália e sexo 
explícito não era permitido. Mesmo assim 
os marmanjos se deliciavam com
aquela bela personagem. Anos depois, a
 revista inglesa Penthouse decidiu também
 criar uma personagem similar a Annie, 
mas não obteve o mesmo sucesso.  
 
Segundo o desenhista Will Elder, outras
 feras do traço também colaboraram para dar 
continuidade a serie, como:
Frank Frazetta, Russ Heath e Jack Davis, 
fazendo os desenhos a
lápis. Em geral as HQs eram de cinco 
págs em cores. Em 1978, no auge
 do sucesso, a serie foi encerrada.



VALENTINA




Uma das mais sexies musas do mundo das
 HQs foi criada pelo arquiteto italiano, 
apaixonado por quadrinhos, Guido
 Crepax em 1965. A personagem, destinada
 ao público adulto, surgiu como coadjuvante 
 na serie Nêutron, na revista intelectual 
chamada Linus, que também apresentava
 como atração principal a Turma do 
Charlie Brown, obra máxima
 de Charles Schulz.


O milanês, Crepax, apesar de ter se 
formado em arquitetura em 1958 nunca
 exerceu a profissão  inicialmente se 
dedicou às artes plásticas e gráficas. 
Depois, decidiu entrar de corpo e alma 
na produção de HQs criando Valentina, que
 foi publicada pela primeira vez em 1965, 
num estilo gráfico inovador, num show
de claro e escuro.

Quando surgiu em Nêutron (uma espécie de
 super-herói intelectual que não usava máscara 
ou uniforme), a magérrima
Valentina Rosseli era apenas uma modelo. 
Esta serie de HQ tinha um grafismo diferenciado,
 estiloso, inconfundível e as narrativas ocorriam
 em níveis diferenciados, num misto de realidade 
e sonhos. Tudo isso numa linguagem 
altamente cinematográfica.
A personagem, sem dúvida, revolucionou 
as HQs italianas que passaram a ser
 denominadas pejorativamente pelos
facistas como “Fumettis”, porque achavam 
que aqueles quadrinhos eram destinados 
para desmiolados.




No Brasil, Valentina debutou na revista
 O Grilo. Depois, ela teve edições no
 formato pocketbook, em 1973. Há anos seus 
álbuns fazem sucesso nas livrarias.
Devido ao sucesso de Valentino, muitos autores 
europeus investiram em HQs repletas de 
mulheres nuas, cujas aventuras apresentavam 
textos intelectualizados. A trilha de Crepax foi 
seguida por Enric Sió, nos anos 70, e 
outros grandes artistas.

Guido Crepax além de Valentina também 
criou outras personagens sensualíssimas, 
como: Bianca e Anita.
Outros autores influenciados pelo estilo
 de narrativa ousada do artista italiano criaram
 Jodelle (na França, cujo autor foi Gui Pallaert), 
Octobriana (na Rússia, criada por dissidentes 
soviéticos) e As Aventuras de Pravda.




AS OUSADAS DAS HQs

BRASILEIRAS

Apesar dos ingleses lançarem HQs com
 personagens femininas erotizadas desde a
 década de 30, como Jane Pouca Roupa, 
como já citei, e na França Barbarella ter 
escandalizado os puristas tradicionalistas, 
em 1962,  abaixo da linha do Equador, no
 Brasil, elas apareceram inicialmente nos
 quadrinhos de terror lançados pela editora
 Taika, nos anos 60. Mas foi somente em 1968,
 quando a editora Edrel de Minami Keizi
 começou  a lançar títulos 
como Estórias Adultas, 
Garotas e Piadas, O Paquera e Gibi 
Moderno é que o quadrinho com conteúdo 
para adultos aflorou.


 SURGE NAIARA, A NINFETA!

,


Naiara, a filha de Drácula, criada pela 
roteirista e escritora
Helena Fonseca e que foi magistralmente
 desenhada pelo saudoso professor Nico
 Rosso foi a primeira figura feminina ousada 
dos quadrinhos nacionais surgiu em 1968.
Ela usava minissaia e tinha um
 corpinho escultural.
Nico, um grande mestre do claro e escuro
 e das histórias de terror, mas que também 
produziu HQs de diversos gêneros, sempre 
com o mesmo afinco, desenhou mulheres
 deliciosas, estonteantes que fizeram
 a cabeça dos leitores.
O sucesso foi instantâneo.



Rosso também desenhou a serie
a hilária Seção Terrir, serie em 
que as protagonistas eram irmãs, deli-
ciosas bruxinhas muito sensuais, que
 vestiam baby-dolls e minúsculas 
lingerires transparentes.
Somente a partir de 1968 é que os seios
 foram mostrados em evidência nos títulos: 
O Estranho Mundo de Zé do Caixão e
 A Cripta, que continham argumentos do 
genial Rubens Lucchetti com 
desenhos de Nico Rosso.





Rosso também ilustrou com maestria
 a serie Seleções de Terror, nos anos 60,
 cujo principal protagonista era
 O Conde Drácula.
O mestre das HQs de terror contou na
 ocasião com a colaboração de dois
 assistentes Josmar Fevereiro e João
Rosa, ambos seus ex-alunos da
 Escola Panamericana de Arte.

MIRZA, A MULHER-VAMPIRO





Essa vampira bela, sensual, de coxas roliças,
 peitões empinados e um corpo traumati-
zante foi criada pelo mestre Eugênio Co-
lonnese (arte) e pelo roteirista (Luis Meri) sob 
encomenda do editor José Siderkerkis 
(O Zelão) e se tornou uma forte concorren=
te de Naiara, outra sangessuga que fazia a 
cabeça dos leitores da época. Curiosamente o 
criativo Colonnese criou Mirza
Dono de uma técnica limpa e acadêmica, 
Colonnese (um italiano radicado 
no Brasil em 1964) se tornou um dos grandes
 ícones do gênero terror\sensual no país. 
Suas figuras femininas até hoje são
 reverenciadas pelos leitores nacionais.
     

VAMPIRELLA



Já que mulheres seminuas faziam sucesso 
no mundo das HQs Forrest J. Ackerman, 
editor da revista Famous Monster, da editora 
Warren, decidiu entrar na onda e criar 
uma vampira ultrasensual oriunda de 
outro planeta. Assim surgiu Vampirella,
Publicada pela Warren. Inicialmente o autor
 escreveu apenas duas histórias que 
foram desenhadas por Tom Sutton. 
Mas, o visual estonteante da vampira interga-
lática mais famosa dos quadrinhos foi criado
 por Frazetta (que também ilustrou a primeira 
capa da serie) e Trina Robbins, conceituada 
artista underground da época (publicava na 
Underground Comix).



Depois, as aventuras da vampi passaram a ser
 escritas pelo experiente Archie Goodwin. 
A sensualidade da personagem ficou por 
conta de seu visual, que ao passar a ser desenha-
da por grandes mestres espanhóis das HQs, 
como: José Gonzáles e outros ganha um visual 
deslumbrantes. As capas das edições eram
 realizadas por Sanjulian, um 
expert em pinturas clássicas.






CREPAX VERSUS MANARA


Durante anos, Guido Crepax foi considerado
 o rei absoluto do quadrinho erótico, graças 
a criação e publicação de Valentina.
 Mas, de repente seu torno passou a ser 
ameaçada por outro grande mestre italiano,
 Milo Manara, após publicar o álbum O Clic. 
Por fim, Valentina, a musa-Mor dos
 quadrinhos acabou
sendo suplantada por outras deusas eróticas.
 Isso se deu em virtude de Crepax começar a
 criar histórias “sem pé nem cabeça”, totalmente 
sem sentido. Assim, as vendas desabaram
e o autor que reinava absoluto no gênero erótico
 acabou abandonando a personagem e
 passou a fazer HQs de sexo explícito
 (Vide Emmanuelle e História de O).




Milo Manara veio para ficar e para dividir 
o título com Crepax de Os Papas das HQs 
Eróticas Mundiais. Porém, eles não são
 os únicos. Axa a guerreira loira, que 
vive num mundo pós-apocalíptico em 2080,
 criada em 1980 pelo roteirista inglês
Donne Avennel  e pelo rabiscador espanhol
Enrique  Romero também esbanja 
sensualidade.









No Brasil, Axa teve um álbum lançado pela EBAL, 
que também lançou a serie completa da coleção 
Cinco por Infinitus (que foi criada na 
Espanha em 1967 para uma editora Alemã. 
Cinco por Infinitus inovou os 
quadrinhos da época e também apresentava 
personagens femininas arrojadas e
 sensuais). A serie foi criada pelo mestre
 surrealista espanhol Esteban Maroto.







Curiosamente, devido ao sucesso
 alcançado na época, Cinco por Infinitus 
foi republicada com diversas páginas 
desenhadas pelo veterano Neal Adams,
 em cores, nos anos 90, pela
 editora americana Continuity.

QUADRINHOS ADULTOS

NO BRASIL

No final dos anos 80 as HQs adultas no
 Brasil eclodiram de vez. Assim, os 
leitores e apreciadores da denominada
 Nona Arte puderam apreciar álbuns incríveis
 como As Aventuras de Liz e Beth, As Aventuras
 de Giuseppe Bergman, Black Kiss, Necron etc. 
Esses álbuns estrangeiros que
eram destinados aos adultos 
continham cenas ousadas que
 pendiam entre o erotismo e a pornografia.
 Essa produções eram de origem europeia,
 exceto Black Kiss, que foi produzida
 pelo polêmico americano Howard
 Chaykin, que misturava espionagem 
com erotismo brilhantemente.
 Mas, em Black Kiss há protagonistas
 interessantes como um padre e uma 
prostituta que desejam destruir gravações
 sigilosas. Nesta serie o autor usava
 a linguagem dos videosclips 
(um sucesso nas TVs da época), mas a
 sacanagem fica por conta dos diálogos.




No Brasil editoras como a Ônix, do
 saudoso amigo Ino G. Alhanat, a L e P M,
a Martins Fontes, Noblet e Grafipar
 exploraram bem
 este segmento auferindo 
bons resultados de venda.
Muitos desses títulos passaram
a ser produzidos por autores
brasileiros.








 BLANCHE EPIPHAINE –
 A SEDUTORA INOCENTE



Um ninfeta orfã e inocente, mas apetitosa, vive
 maltrapilha em paris, a cidade dos prazeres.
 A pobrezinha vive se desvencilhando dos
 tarados que a desejam o tempo todo.
Mas, a personagem tem um protetor, 
Lucien, um estudante
de ciências, que mora vizinho do
 quarto da donzela.
Blanche foi criada pelos franceses 
Jacques Lob (roteiros)
e desenhos de Georges Pichard Blanche.
A serie surgiu em capítulos na páginas de
 A lendária e bem conceituada revista
 francesa V Magazine.

Segundo o roteirista e escritor Lucchetti, 
em seu livro As Sedutoras dos Quadrinhos,
 as seis aventuras da personagem foram 
publicadas entre 1967 e 68.
No Brasil, a serie foi editada pela 
primeira vez em capítulos
na revista Homem, em 1980,
 pela editora Três.
    

PAULLETE, A DELICIOSA



Assim como Blanche, loira e rechonchuda, 
marca registrada do desenhista Georges 
Pichard, surgiu Paullete a irmã de Blanche.
A serie passou a ser publicada no país
 pela revista O Grilo, em 1972, uma das
 revistas de HQs mais importantes e
 inovadoras que teve por aqui.
 A nova personagem, bela, sensual e
 também ingênua, foi criada em 1970,
 por George Wolinsky (textos) e 
Pichard (arte).  A serie era bem 
humorada 
e altamente sensual.



No país ela foi lançada em álbum apenas 
duas vezes, infelizmente. Uma pelo selo 
Arte Nova, editora de O Grilo, e anos
 depois teve uma outra publicada 
pela L&PM. Paullete Gulderbilt era
 herdeira de um império 
industrial, mas tinha idéias socialistas. 
Não usava calcinha nem sutiã e vivia se
 desnudando, para o delírio de seus fãs.
 Nas suas aventuras ela era acompanhada
 por Joseph, um velho míope que acabara
 transformando, através de mágica,  
a bela morena (Paullete) num anjo delicioso
 de cabelo dourado. Joseph s e enfurecia
 por conviver com uma ninfeta gostosa 
e não poder transar com ela,
 devido a sua idade avançada.


Paullete foi publicada em capítulos 
na revista francesa Charlie, que lançava HQs
 intelectualizadas,em 1970 e saiu de
 circulação em 1976.
No Brasil as Aventuras de Paullete foram
 publicadas na revista Grilo, que publicava 
quadrinhos de vanguarda nos aos 70 – 
inclusive as clássicas HQs undergrounds 
de Robert Crumb.

MARIA ERÓTICA



Esta nossa heroína das HQs eróticas 
surgiu no estilo manga denominado gekigá
 (mangás para adultos, no Japão). 
Ela foi criada pelo genial e saudoso Cláudio 
Seto, filho de japoneses
que vieram para o Brasil e se instalaram
 na cidade de Guaiçara, no interior de 
São Paulo. Ele foi o primeiro a produzir HQs do
 tipo manga e publicá-las, pela Edrel, 
no país, em 1967.
A personagem surgiu na serie Zero-Zero
 Pinga, uma sátira de James Bond, o agente
 007. Maria Erótica era parceira de Beto
 Sonhador, um detetive particular 
mulherengo e aloprado.

A loira deliciosa era repórter de um jornal,
 tinha largos quadris e tirava a roupa 
freqüentemente. 
Como todos os personagens
 de Seto ela também tinha problemas
 psicológicos. Ela se comportava friamente
 ante as investidas de seus admiradores
e por ter formação religiosa achava tudo 
o que se referia a sexo como pecado mortal. 
Porém, senti a necessidade e luta 
ferrenhamente entre ser casta e obter 
prazer. Ao mesmo tempo ela é sexy, 
maliciosa e doida para “pecar”, por isso
 trepava a vontade no mundo
 da fantasia, onde era libertina.

Maria Erótica foi publicada inicialmente 
entre 1970 e 72 pela editora Edrel. 
Em 1980 a personagem estreou pela Grafipar
numa aventura de 90 págs desenhada 
em tons de cinza.
Depois ganhou edição mensal 
solo que durou até 1983.
A heroína sensual criada por Seto
 também teve vários desenhistas, inclusive 
o mestre e amigo Watson Portela.
Seu editor original foi o também
 desenhista, roteirista
 e amigo Paulo Fukue.

KATE APACHE



Personagem criada pelo genial e 
saudoso desenhista e roteirista
Cláudio Seto. A serie oi publicada
pela editora Grafipar. A sensual Kate 
vivia suas aventuras no velho
Oeste selvagem usando apenas
um ponche.


DRUNNA – O TRASEIRO

MAIS DELICIOSO

DO MUNDO DAS HQs



Ficção-científica, erotismo e pornografia, 
são as temáticas principais de Drunna,
 que surgiu em 1985, nas páginas da 
revista italiana L’Eternauta, na serie
 Morbus Graves. A carnuda e bem torneada 
morena de cabelos longos foi criada pelo 
italiano Eleuteri Serpiere, vive freqüentemente
 sem roupa. Ela não tem preconceito, faz sexo
 anal e oral, numa boa, com seres mais
 incríveis, muitas vezes forçosamente. 
Porém, o sexo para ela é sempre prazeroso.

 Drunna mexe com a imaginação dos 
marmanjos, que babam diante de tanta 
exuberância ao contemplarem as formas
 roliças com as quais o autor 
generosamente a concebeu. 
Suas aventuras são publicadas com
 sucesso em álbuns em diversos países
 do mundo, inclusive no Brasil. Neste país 
ela foi publicada pela primeira em edições 
especiais pela revista Metal Pesado 
(Versão nacional da lendária Heavy Metal) 
e posteriormente saiu pela Ópera Graphica.



APACHE – UM WESTERN

DIFERENTE



Águia Noturna é o nome indígena dado
 pela mãe dela, uma índia apache que teve 
um caso com um tenente que era braço
 direito do general Custer e que serviu na 
7ª cavalaria. Ao ver seus pais serem 
assassinados por ex-militares a 
menina foge apavorada,
é encontrada por índios cheyennes e ali
 passa a ser criada até os 12 anos. 
Com os constantes ataques dos casacas 
azuis às tribos da região sua mãe indígena
 adotiva pede que dois de seus guerreiros 
leve a menina para um lugar seguro: 
À Missão espanhola de San Juan. 
Ali a menina é criada segundo os preceitos
 cristãos e ao crescer se torna 
a dócil irmã Maria.

Porém, na calada da noite ela se transforma
 numa vingadora temível e implacável
 que imbuída com o espírito de manitu
 busca os assassinos de seus progenitores
 e luta contra as injustiças. Assim, a freira, 
que também é meio índia, vive entre dois mundos
que a rejeitam por ser mestiça e até porque
 alguns de sua raça acreditam que os 
homens da cavalaria insistem em atacar 
as aldeias pensando que eles escondem a
 vingadora guerreira. 
Brancos e índios passam a perseguí-la de 
forma implacável. Portanto, Apache é 
uma renegada. A personagem foi 
criada pelo veterano das HQs nacionais
 (Antonio Fernandes Filho) Tony Fernandes 
(que também criou personagens como: 
O Inspetor Pereira, Capitão (Buana) Savana,
 Fantasticman, Fantasma Negro, 
O Pequeno Ninja, A Maldição 
do Guerreiro Ninja e outros).

A serie dói criada especialmente para 
a editora Noblet, que acabou 
recusando o projeto por achar
 extremamente violento. Cinco anos depois,
 a serie foi lançada pela editora As Américas
 (durou 6 edições). Pela segunda vez
 uma serie de western tem como 
protagonista uma mulher (a primeira foi 
Kate Apache) e mostra a realidade do
 que houve de fato no velho Oeste americano. 
O autor, que desenha e escreve fez uma 
ótima pesquisa sobre a época.
 Além do mais a serie faz diversas
alusões as antigas series da TV etc.
 Por exemplo, Hopsing,
o chinês, é uma alusão ao cozinheiro 
do antigo seriado exibido na TV
 chamado Bonanza (que durou cinco anos),
 Willer City é uma clara referência a 
Tex Willer, da Bonelli Comics, que o 
autor tanto aprecia. Apache, a serie,
 aborda temas atuais como
 preconceito, rejeição e racismo. 


LITTLE EGO



A clássica serie de HQs criada pelo americano 
Winsor McCay em 1905, Little Nemo, acabou
 inspirando o italiano Vittorio Giardino a criar
 Little Ego, uma versão adulta, cuja primeira 
HQ foi publicada em 1983. A personagem 
era uma morena sedutora, de cabelos curtos
 e corpo sinuoso. 
Ela, assim como Nemo, sempre acabava
 acordando ou caindo da cama após
 viver aventuras oníricas. 
Vivia preocupada com a opinião de 
seu analista sobre seus
 devaneios eróticos.





Por Tony Fernande\Redação 
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