quarta-feira, 15 de março de 2017

Batfink - Ep 1 - Pink Pearl of Persia

O PEQUENO NINJA! Matéria Especial!




SAIBA COMO, QUANDO 
POR QUÊ ELEFOI CRIADO!
A  VERDADEIRA 
HISTÓRIA DO 
PEQUENO NINJA!



Anos 90. Eu estava trabalhando
com publicidade há alguns anos
atendendo o Laboratório 
Catarinense S\A, de Santa Catarina, 
fazendo o Almanaque Sadol - que
 era distribuído gratuitamente nas
 farmácias do país e que tinha a 
tiragem de 600 mil exs. por ano.
Para a mesma empresa eu
também criava folhetos, rótulos,
embalagens e campanhas
publicitárias para a TV.

Foi lá, na NKS, uma house
do laboratório sediada em 
S. Paulo, que o diretor
de marketing e amigo Laerte
Baptista me apresentou o
fotógrafo André Lima -
recém chegado de Mogi
Mirim, interior paulista,
e que depois o encaminhei
para o ramo editorial,
porque tinha um sonho:
fotografar mulheres peladas
para revistas masculinas.
O jovem mancebo desejava
unir o útil ao agradável.
Rsss... 


E não é que o "mardito" conse-
guiu. Rssss. Fez para a Phenix
duas edições da revista
poster Composit Model 
(com 100 mil exs de tiragem,
um fiasco, que só deu prejuízo)
 e pela editora Escala lançou
 diversas edições da
revista Man. Mas esta é
uma outra história.

De repente, após a visita de um
velho amigo e compadre, Wanderley
Felipe - que também é padrinho de
batismo da minha segunda filha,
Patrícia-, decidimos nos associar.
E assim criamos o estúdio
Felipe-Fernandes. 

Não me lembro exatamente 
quem me apresentou o editor 
de origem portuguesa chamado 
Fernando Mendes 
(Vulgo Manelão e Gordo Guru).
Na época ele era proprietário da
editora Ninja e publicava uma
revista de artes marciais com
o mesmo nome.


A editora tinha apenas aquele
título, mas não conseguia
publicar 12 edições por ano.
Estava precisando lançar
mais produtos e acho que
por isso nos convidou
 para irmos para o velho
 edifício que ainda
está localizado na avenida
S. João, cruzamento com a
avenida Ipiranga, sobre o
antigo e lendário Bar do Jéca,
ponto de encontro de boêmios,
artistas e intelectuais.

Ali nos instalamos numa
sala simples, que era alugada
pelo editor, que a repassou
para nós. Pagávamos a
sublocação com trabalhos,
esta foi a proposta.

Desde os tempos da Noblet
eu tinha uma ideia em mente:
lançar uma revista tipo MAD,
mais apimentada, com uma
boa dose de sexo
 e sacanagem.

No projeto inicial estavam
envolvidos eu, meu ex-sócio,
 e Wilson Borges (Vulgo Carica),
autor do personagem Sapolino e
antigo colaborador da ETF
Comunicação, minha primeira
casa editorial, que lançou o
personagem dele, nos anos 80.

Rabiscamos ideias, fizemos
um boneco e apresentamos
o projeto. O editor o aceitou.
Asim, passamos a produzir
as primeiras edições de
Udigrudi, no formato
14 X 21 cm, em preto branco,
 com 132 págs. Nessa ocasião
surgiram Gilvan Lira, Décio
Ramires e Brito, autor do
Papa Anjo, que também
passaram a colaborar
com a UDI.





Na sequência, criamos algumas
revistas, para o mesmo editor,
de fotonovelas eróticas -
visto que ele queria expandir
o número de suas publicações.
Na época, revistas de sacanagem
vendiam muito e a disputa nas
bancas entre editores era
ferrenha. Não faltavam
clientes para nós. O mercado
editorial nacional estava
super aquecido.

Os produtos da
editora Ninja, de repente,
começaram a se destacar
nas bancas do país,
devido ao grande número
de títulos e revistas
poster como Rambo etc,
que foram lançadas. 

Ainda naquele ano, a editora
Abril começou a lançar edi-
ções luxuosas com o selo
Graphic Novel. A primeira
edição apresentava o incrível
Will Eisner no título
O Edíficio, um clássico.



Inúmeras Graphic Novels 
foram lançadas pela Abril.
 Na TV e no cinema filmes de
lutas marciais faziam
suceso. E após o lançamento
de Ronin e Elektra, pela Abril,
uma febre de ninja se espalhou
pelo país.





No cinema, Van Damme,
Chuck Norris faturavam alto
 na trilha deixada pelo incrível
e saudoso Bruce Lee - um
mestre inigualável. 
Ainda naquela década o filme 
O Pequeno Samuraí foi lançado
e arrebentou nas bilheterias.
Foi sucesso absoluto.
Na extinta Rede Manchete de
TV - de Adolfo Bloch - animava
as tardes da garotada com
o filme Ninja Jiraya, que
tinha uma super audiência.





Certo dia, Fernando Mendes,
entrou em nossa sala, que
ficava do outro lado da dele,
no quinto andar, sede da ed.
 Ninja - todo empolgado. 
Tinha assistido ao filme
O Pequeno Samuraí e disse:

- Grandes gurus, tive uma
ideia: Que tal lançarmos
uma garoto guerreiro, para
aproveitar a onda? Já tenho
o nome perfeito:
 O Pequeno Ninja.

Achamos a ideia legal, nos
entreolhamos - eu e o sócio -
e decidimos encarar o desafio:
Criar um herói mirim que
fosse o bambambam em
ninjitsu e que adorava
distribuir bordoadas.


Eu e o Felipe conversamos
sobre o assunto. Depois, fui
pra casa no final do dia
matutando na cabeça como
seria o pirralho...

No dia seguinte, tive a ideia
de fazer um estudante,
tipo nerd - com cara de
bundão, a La Clark Kent,
de óculos e escambau, que
vivia cercado pelos
amigos da escola, que
se transformava no
pequeno guerreiro.

Para incrementar ainda
mais o universo do
personagem criei o
cão que o acompanha
nas aventuras e que se
transforma no Shaken
Mascarado e dois irmãos
chineses encrenqueiros,
Kun e Fu. 
Também imaginei que no
grupo de colegas de Eugênio -
o garoto que virava mini herói-,
deveria ter personagens
interessantes, marcantes e
algumas meninas.

Passei a escrever os roteiro,
enquanto o W. Felipe se
encarregava de criar o
visual do pequeno guerreiro.
Assim que o editor aprovou
a ideia começamos a
produzir a nova serie a
toque de caixa.

Uma semana depois
tínhamos fechado a
primeira edição, que foi 
produzida no formato A-4.
Depois, passamos a colo-
rizar os guias de cores,
afinal a nova HQ sairia
colorida.

Também participou dessa
correria inicial nosso querido
Jerônimo Fagundes (Vulgo
Sinistrão,  pois só andava de
preto). Ele na época fazia
faculdade e estagiava
 em nosso estúdio.
Além dele, também surgiu
outro estagiário, Orlando
Alves e os colaboradores:
Gilvan Lira, Edson Monteiro
e Décio Ramirez.

Inicialmente O Pequeno
Ninja tinha sido programado
para ter uma tiragem de
100 mil exemplares.
Confabulamos - eu, o sócio
e o editor -, eu disse que
poderíamos negociar e
colocar um comercial na
TV. Gostaram da ideia e
levei ela para a NKS, cujo
produtor era André Lima.

Mas, o problema era: Quem
iria rodar uma tiragem
grande daquela... 
Milagrosamente o editor
conseguiu crédito na Gráfica
Brasiliana, cujo gerente em
S. Paulo era Hercílio de
Lourezo, que tempos depois
virou proprietário da editora
Escala. Posteriormente a
mesma gráfica passou a
atender a nossa editora.

Não demos sugestão alguma
para o comercial, deixamos
tudo a cargo do criativo
André Lima.
Quando o filme ficou pronto
o editor se empolgou, princi-
palmente quando conseguimos
negociar com a Rede Manchete
de TV, para colocar mídia
na abertura, no meio e no
final da serie Ninja Jiraya,
um campeão de audiência
no horário vespertino.

Havia todo um plano de
lançamento, não assinamos
qualquer contrato entre nós,
fizemos um acordo de
cavalheiros que, se o
pequeno guerreiro desce
certo, juntos, iríamos explorar
o merchandising etc.

O material foi para a gráfica
e com incrível rapidez foi
impresso, garças ao poderoso
equipamento da Brasiliana.

Quando vimos o primeiros
exemplares impressos,
adoramos. A mercadoria
saiu da gráfica e num caminhão
seguiu para a cidade do
Rio de Janeiro, sede da
extinta Fernando Chinaglia
Distribuidora, a segunda
maior do país.

Pouco tempo depois, a 
revista estava circulando
por todo o Brasil. Foi aí
que fomos informados
pelo editor que a tiragem
tinha sido maior: 250 mil
exemplares. Mal pudemos
acreditar. Nunca tínhamos
lançado uma revista com
uma tiragem daquela.
Só nos restava cruzar os
dedos pra tudo dar
certo, caso contrário a
editora poderia quebrar.
A edição tinha sido rodada
na base do crédito.
Coisa de maluco.

O comercial da TV começou a
 ser exibido e como resultado
as vendas bombaram.
Fechamento: Venda de 50%.
O Pequeno Ninja, um perso-
nagem novo, totalmente
desconhecido, foi um
campeão de venda.

Todos nós, os envolvidos,
nos empolgamos. Era
preciso dar continuidade
a serie e por sorte, após
verem o gibi nas bancas, 
surgiram outros colaboradores:
Verde, Alexandre Montandon,
Alexandre Dias, Jorge Barreto,
Cláudio Vieira e Luciana - A
única garota da equipe, que
era comandada pelo Felipe.

O meu negócio era escrever
roteiros e avaliar os roteiros
que chegavam. Trabalhávamos
numa pauleira danada
para completar cada edição,
porque paralelamente também
atendíamos a Bloch - fazendo
HQs para a revista Angélica,
a ed. Onix, fazendo capas
para as revistas de HQs
eróticas, cujo conteúdo
vinha da Europa e o
  tal laboratório,
que nos proporcionava 
uma boa renda.

Pelo que eu me lembro,
fizemos, acho, que três
ou quatro edições do 
Pequeno Ninja. 

Certa tarde, eu estava
numa reunião no depto. de
marketing do laboratório,
que ficava na Lapa de
Baixo, quando recebi um
telefone do Felipe, que
tinha ido na editora para
 entregar mais uma edição.
O cara me informou que o
editor tinha nos passado para
trás. Tinha registrado o
personagem no nome dele e
que também tinha passado o
trabalho para outro estúdio.

Fiquei puto com a notícia.
Achei aquilo uma sacanagem.
Peguei um táxi e fui voando 
para uma churrascaria no
bairro do Tatuapé, onde estavam
meu sócio, o editor e a esposa
dele, tranquilamente bebericando
chopps e churrasco de
picanha. Mal entrei, apanhei o
espeto e comecei a ralhar
com o editor, que simplesmente
sorriu e pediu pra eu me 
acalmar.
Eu não conseguia entender como
o Felipe podia estar tão passivo
ante aquela pilantragem. Mas, ele
sempre foi assim: devagar
quase parando.

O editor pagou a conta e 
nos retiramos do local. Lá fora
disse pra ele que aquilo não
ia ficar assim. Ele se achava 
dono exclusivo do personagem.
Repeti: Isto não vai ficar assim!
E não ficou...

Recorri ao I.N.P.S (Instituto
Nacional de Propriedade Indústrial)
expliquei o caso, por telefone, para
um dos advogados que me 
encaminharam. Ele prometeu
mandar uma intimação pra
editora e, caso nós não entras-
semos num acordo, faria um
mandado de busca e apreensão
de todos os exemplares que 
estivessem circulando nas
bancas de jornais do país.

Ao saber que a coisa ia
ficar preta e que, caso a busca
fosse realizada, o prejuízo ia
ser imenso. 

Não tardou para que o editor
 me ligasse apavorado.
Disse pra ele que não era
preciso sacanear e que se
ele quisesse comprar o
personagem, nós o venderíamos.
Afinal, eu sabia que o herói
mirim não faria sucesso
pra sempre e além do mais
eu e o Felipe criávamos
bonecos aos quilos.

Um preço foi negociado e
sem muita discussão acabamos
entrando num acordo. Assim,
assinamos um documento de
transferência de direitos
definitivos do Ninjinha.
E, todos ficamos felizes.

Com a grana auferida monta-
mos a nossa editora - Phenix,
em 1991. Alugamos duas
sala do velho prédio da
São João e começamos a
lançar revsitas posters.
Ma, minha intenção era
criar com o faturamento dos
posters uma infraetrutura
capaz de bancar uma 
equipe pra lançarmos
histórias em quadrinhos.
O meu sócio era marinheiro
de primeira viagem, mesmo
assim assumiu o depto
financeiro. Fiquei como a
parte executiva, afinal
eu tinha adquirido algum
know how no tempo
da ETF.





Achando que tinha encontrado
o eterno mapa da mina, Fernando
Mendes decidiu lançar outros
títulos de HQs, do mesmo
segmento, como Mestre Kim etc.
A produção das artes tinha 
ficado a cargo do estúdio do
João Costa e seus colaboradores,
que aliás acabaram fazendo um
belo trabalho, tenho que admitir.
E melhoraram muito o visual
do personagem.

Mas, como tudo o que é bom
dura pouco, de repente, a
distribuidora começou a pedir
para as tiragens serem
diminuídas. E, com isso as
vendas também foram caindo
gradativamente. Ciente de que
os pedidos de tiragens baixas
acabariam  tornando as publi-
cações inviáveis, devido ao
alto custo operacional, e
temendo que o pior
 acontecesse o
editor recorreu à DINAP -
distribuidora o Grupo Abril.

Procurou outra alternativa de
distribuição e ficou feliz ao
saber que a outra distribuidora
pediu para que ele rodasse
300 mil exs de cada, ou
coisa parecida. 

Ele me ligou contando as
novidades. Alertei ele e disse
que aquilo era suicídio.
Expliquei que aquilo não tinha
lógica e questionei por quê a
distribuidora Abril iria querer
fomentar a venda de um produto
que poderia concorrer 
com as pratas da casa: 
As edições Disney e 
Mônica e Cebolinha.
Ele não acreditou em mim
e acabou se dando mal.
Apesar de tudo, não guarda-
mos qualquer rancor do
referido editor, que se
empolgou feito criança. 

Bem, nem é preciso dizer o
final dessa história, mas se
desejam saber, a vendas 
despencaram, as tiragens
 foram abaixando,
abaixando, até fazer a editora
tirar seus títulos de
circulação. Eu já tinha visto
aquele filme antes. 
Ao editor só restou
 administrar dívidas gráficas.

Nos anos 90, Fernando Mendes
abriu a editora MERFER e mais
uma vez tentou ressuscitar o
pequeno guerreiro, desta feita,
no estilo mangá, mas não
deu certo.

Pouco tempo depois, João
Costa negociou o herói mirim,
para o Fernando, com a editora
On Line - que adora comprar
direitos autorais definitivos.
O personagem, pelo que me
disseram, foi vendido por
50 mil reais, que ajudaram a
levantar a nova editora do
Fernando e da Luzia, sua 
esposa. Já há alguns anos
 eles editam uma serie de
 revistas de caças palavras, 
cruzadas, sudoku e outros
 títulos com relativo
sucesso.


Desde que o Paulinho da On Line
- um ex-funcionário da DINAP -
adquiriu os direitos do Pequeno
Ninja, foram feitas várias tenta-
tivas para ressuscitar o perso-
nagem, com diversos lançamentos.
Mas, nenhum vingou.
Evidentemente a onda ninja
passou, ficou para trás, na
 distante década de 90.



A seguir, recorde a primeira
edição desse pequeno e
carismático guerreiro e de
seu cão. Numa edição onde
todas as HQs foram escritas
e desenhadas por mim e
pelo Wanderley Felipe.
Relaxem e curtam, afinal,
recordar é viver...


















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OBS: As imagens contidas nesta matérias são de
autoria de Tony Fernandes e Wanderley Felipe.
Atualmente, os direitos do Pequeno Ninja
pertencem a Editora On Line.

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