quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A ERA DOS POCKET BOOKS (BOLSILIVROS, NO BRASIL)! Matéria Especial... Confira...



Se você tem mais de 45 anos, com certeza, deve estar
lembrado de uma época incrível em que uma centena de
Series de livros de bolsos, que ficaram conhecidos como bolsilivros, eram lançados no Brasil. 
Escrevi essa matéria com o intuito de reavivar a
 memória dos mais velhos e expor aos 
mais jovens como foram...

OS ANOS DOURADOS DOS
BOLSILIVROS NO BRASIL

Até hoje existe um mercado paralelo de livros de 
bolsos antigos no Brasil – em bancas e livrarias de sebo –
que é movimentado por saudosistas que compram, vendem e trocam essas verdadeiras raridades, que fizeram muito sucesso 
e história nas décadas de 50, 60 e 70, e que há muito tempo 
deixaram de circular em nossas bancas de jornais.
 Se nos Estados Unidos as publicações pulps (de baixa qualidade) proporcionavam belos momentos de entreterimento aos leitores, mesmo sendo consideradas literaturas de péssimas qualidades, em nosso país os denominados bolsilivros cumpriram a mesma função e também foram desprezados pelos pseudos-intelectuais.
A matéria a seguir é uma singela homenagem a uma centena de autores e ilustradores que contribuíram de forma contundente para fomentar esse incrível tipo de publicações, que apresentavam uma literatura popular que movimentou milhões no Brasil, gerou empregos, motivou diversas editoras a continuar e a publicar novas series, consagrou autores e proporcionou prazer a
Milhares de leitores, que se deliciavam com essas...

HISTÓRIAS QUE FIZERAM 
HISTÓRIAS!



Segundo consta, o precursor dos chamados livros
de bolsos, que muito sucesso fizeram no Brasil e no mundo,
no passado,  foi o escritor espanhol Jose Mallorqui, que
Criou a consagrada serie chamada Coyote,
que narrava as aventuras de um justiceiro mascarado.

Antes da criação de Coyote, havia na Espanha um editora
chamada Cliper, sediada em Barcelona, que publicava
Vendia folhetins com as aventuras do Zorro.
Após constatar as boas vendas, um outro editor, decidido a concorrer com a Cliper encomendou a um jovem escritor um personagem na mesma linha.

Assim, Jose Mallorqui foi incumbido para criar 
algo que pudesse concorrer com o justiceiro de capa e
espada, no formato livro de bolso.

Mallorqui não perdeu tempo, examinou seus arquivos e após encontrar alguns contos de Coyote, decidiu adapta-los para o formato livro de bolso.

Na realidade, o primeiro conto de Coyote foi publicado em 1940, num jornal espanhol e fez sucesso. Tanto que o autor passou escrever outras histórias desse curioso personagem que 
vivia na Califórnia.

Ao se lembrar do sucesso que tinha feito aquele personagem, o autor passou a criar novas
histórias mais complexas para edições de livros de bolso, que fizeram um sucesso danado.
No total ele escreveu 119 episódios, que foram produzidos até 1953.
Oficialmente, o primeiro pocket book de Coyote foi lançado em 1950, na Espanha. No Brasil a serie só foi lançada em 1956, pela recém fundada editora Monterey e teve foi um grande sucesso. Coyote foi publicado durante anos no Brasil pela Monterey.




AUTORES, DESPRESTIGIADOS,
PELOS CRÍTICOS, ERAM
VENERADOS PELO POVO

Os autores de livros de bolso eram mal vistos pelos 
intelectuais, da época. Porém, naquele tempo 
frequentar livrarias era coisa de bacana, de gente que tinha dinheiro, pois os clássicos literários tinham preços além 
do poder de compra do proletariado. Os denomnados pockets
Books vieram preencher a lacuna e para encantar essa
nova classe de leitores que surgiu, no Brasil e no mundo, 
que tinha sede de leituras de aventuras.

O PRIMEIRO LIVRO
DE WESTERN
EDITADO NA AMÉRICA

Na América, o primeiro livro editado, do gênero 
western, que se tornou um fenômeno de venda, foi 
The Virgian, em 1902, de autoria de Owen Wister. 
Esse autor nasceu em Ohio, em 1872, estudou e se formou em Haward, estudou música em Paris e acabou se tornando um advogado profissional conceituado. Adorava tirar férias no Wyoming  e foi nessas viagens que acabou se apaixonando
pelas histórias que ouvia sobre aquela região e seus
lendários personagens. Certo dia, ele
decidiu escrever aquelas histórias fantásticas e assim 
se tornou um escritor. Essas edição clássica que 
marcou época foi editada em larga escala e a
unidade de cada exemplar passou a ser acessível às
classes menos privilegiadas financeiramente.
No Brasil e em diversos países o preço das boas obras
literárias estavam – e ainda estão – além do poder 
aquisitivo da grande população.


LIVROS BARATOS
PARA O POVO

Nos anos 30, na América, alguns editores decidiram 
publicar as famosas edições pulps e nelas foram narradas as primeiras aventuras sobre o velho Oeste selvagem, de ficção científica, terror e suspense.
Antes disso, folhetins eram editados
pelo famoso circo de Buffalo Bill, que eram bastante 
consumidos. Visando propiciar um produto barato ao grande público alguns editores decidiram contratar escritores baratos e
Desconhecidos,que acabaram se revelando excelentes contadores de histórias sobre o velho Oeste, guerra e outros temas.
E assim, esses pockets books impressos em papel de baixa qualidade passaram a ser devorados por uma população
ávida por lazer, mas que tinha pouco dinheiro.

A ERA DOS WESTERNS

A partir dos anos 50 até a década de 70 os livros de 
bolsos, de cowboys e de outros gêneros fizeram muito 
sucesso em terras tupiniquins.
Baseando-se nos inúmeros filmes do gênero feitos 
por Hollywood, que arrecadavam um bom dinheiro
nas bilheterias e no sucesso de seriados feitos 
exclusivamente para a TV, por atores considerados 
de segunda categoria, como: Gunsmoke – que
durou por 20 temporadas e só foi cancelado 
na década de 70. Outro fenômeno do gênero foi Bonanza,
serie que foi lançada em 1959 e que fez um imenso 
sucesso durante 10 anos consecutivos -, alguns editores 
nacionais decidiram lançar no formato livro de bolso – torpes edições, segundo os críticos - uma centena de títulos que conquistaram gerações. 

Estefania também foi uma serie de western lançada 
em pocket book que caiu nas graças dos leitores, por 
suas aventuras cheias de ação, tiros e ritmo acelerado. 
Esta serie foi criada e escrita pelo espanhol 
Marcial Lafuente.
Porém, os cowboys começaram a sair de circulação 
aos poucos e o reinado dos cowboys no cinema, 
na TV e nas histórias em quadrinhos sucumbiu 
definitivamente nos anos 70, para o desespero
daqueles que apreciavam esse gênero.


BONANZA


Em 1959, quando Bonanza foi lançado na TV, 
pela NBC (National Broadcasting Corporation), criada pelo produtor David Dortort  e patrocinada – durante 13 anos – pela General Motors, que ao perceber que os índices de audiência estavam abaixando, após a morte de Dan Blocker (o simpático, gordo  e popular Hoss Cartwright), que faleceu no dia 
13 de maio de 1972, cortou o patrocínio. 


Assim, a partir da décima quarta e derradeira
temporada Bonanza foi patrocinado pela Ford Motors, 
mas os índices de audiência da serie caiam cada vez 
mais e isso provocou o encerramento de uma das series 
mais carismáticas do gênero, que findou
antes de terminar a décima quarta temporada, que teve
apenas 16 episódios. Há quem afirme que ao ser convocado 
para filmar o último episódio dessa famosa e saudosa serie,
que foi realizada no dia 6 de novembro de 1972,  o 
ator Lorne Greene (o patriarca dos Cartwrights) não
compareceu ao set de filmagens. 

  
GUNSMOKE

O mesmo ocorreu com Gunsmoke, a mais longeva 
serie de western da TV americana, que após 20 temporadas 
de sucesso acabou sendo cancelada em 1975. 
Os seriados e filmes de cowboys acabaram 
desaparecendo da mídia em 1975, quando as 
series policias se tornaram populares na TV.



OUTROS GÊNEROS
DE BOLSILIVROS

Convém lembrar que o que motivou as editoras nacionais a editarem bolsilivros de cowboys foi o sucesso que o 
gênero faziam entre os anos 30 e 50. Em 1959, quando 
Bonanza foi lançado havia 48 series de western 
sendo exibidas nos Estados Unidos.
















Além das histórias de westerns, editoras como a  Monterey, Bruguera e Tecnoprint, entre os anos 50 e 70, investiram alto nesses livros baratos – lançando diversos
Títulos – tornado-os bem populares.
Dentre os inúmeros autores e títulos que surgiram ao longo
desses anos, a maioria eram de autores de outros países, porém alguns foram escritos por escritores brasileiros, como: Hélio do Soveral, David Nasser, Júlio Emílio Braz, Tony Carson -
esses dois grandes amigos do passado - e outras feras, que assinavam pseudônimos estrangeiros.



 Autores desconhecidos até então, como Keith Luger, 
que escrevia as aventuras de um espião aposentado que protagonizava uma serie chamada K.O Durban – 
uma espécie de 007 -, faziam muito sucesso. 
Na verdade, Keith Luger era o pseudônimo do brasileiro
Hélio do Soveral.  Giselle, a espião, estrelava uma outra 
serie que caiu no gosto popular e suas histórias eram criadas
pelo jornalista David Nasser, que inicialmente passou
a publicar as histórias dessa personagem carismática
em capítulos no jornal carioca Diário da Noite,
antes dela se tornar um fenômeno de venda 
no formato bolsilivros.






Além dos títulos que mencionei acima, também
eram publicados series de guerra, aventura, suspense e ficção científica, todas sempre com boa receptividade por parte dos leitores.  Porém, os grandes campeões de venda, eram duas 
series incríveis que  chegavam a vender cerca de 70 mil 
exemplares mensais: Coyote e a serie ZZ7 que trazia as
aventuras da sensual Brigitte Monfort, a espiã que era filha de Giselle, que era agente da CIA e usava o codinome de Baby.

O grande mestre das ilustrações dessa era de ouro dos pockets books editados no país foi o grande mestre ilustrador Benício, 
que dava um show ao desenhar e pintar as capas 
de muitas dessas edições.
Nos anos 80, cheguei a colecionar diversos títulos desses
livros de bolso e, especialmente Brigitte Monfort -
por causa das magníficas capas do mestre Benício -,
que além de suas aventuras espetaculares tinham 
capaz incríveis feitas por Benício, da sensual espiã.
Eu vivia devorando a serie ZZ7 e outros livros de bolso, 
além das revistas em quadrinhos da EBAL, da RGE, da
editora O Cruzeiro e revistas de caças e palavras cruzadas da editora Tecnoprint (Coquetel, que até hoje fazem sucesso).







Tempo bom aquele, quando nem sonhávamos com
computadores e um dos lazeres mais baratos que tínhamos 
era a boa leitura desse pequenos livros, bons e baratos, 
que faziam a alegria de muita gente, além das revistas
de HQs, é óbvio.
Aos domingos eu não perdia as matinês, para ver aqueles
bons e velhos filmes de cowboys, como Tim Holt e
outros, que fizeram a alegria da garotada. 
Sempre adorei cinema, música, livros, teatro e gibis.













Com o passar do tempo, os chamados bolsilivros
acabaram desaparecendo de circulação, deixando 
muita gente na saudade. Anos depois, algumas editoras
tentaram ressuscitar aquele tipo de publicações,
mas fracassaram.

Como já citei no início dessa matéria, até hoje existe um
mercado paralelo de revistas e livros usados, onde
saudosistas e fãs daqueles incríveis pockets
books ainda compram, trocam e vendem essas raras edições. 
Tenho um amigo que até hoje mantém a sete chaves algumas dessas coleções, que não empresta e não vende,
por dinheiro algum.

Houve um tempo em que os produtos editoriais 
eram baratos e que todo mundo podia adquiri-los 
para ler. Mas esse tempo acabou. Hoje – devido aos preços exorbitantes -, poucos são aqueles que ainda buscam nas 
bancas de jornais uma boa forma de lazer 
e cultura, infelizmente.

Por Tony Fernandes\Redação Estúdios Pégasus –
Uma Divisão de Arte, Criação, Propaganda e Marketing
Da Pégasus Publicações Ltda – São Paulo – SP – Brasil
Todos os Direitos Reservados.

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