quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ENTREVISTA COM LANCELOTT BARTOLOMEU MARTINS, O CRIADOR DO MAIOR COMPÊNDIO DOS SUPER-HERÓIS NACIONAIS, JAMAIS VISTO!


Mais um membro do Bengalas Boys Club - nossa milenar 
confraria (Rsss...) - dá seu depoimento neste espaço 
reservado para conhecermos um pouco
mais dessas figuras fantásticas e criativas que 
surgem através da Internet e que até pouco 
tempo atrás viviam no anonimato,
 por estarem distante dos grandes centros urbanos.

Poder trocar idéias com esta figura fantástica, fissurada
 em quadrinhos, de bom nível intelectual e que realizou 
um trabalho sui generis a respeito dos heróis tupiniquins
 é, sem dúvida, um grande privilégio. É um desses milagres
 que a tecnologia nos proporciona e que faz a gente 
conhecer e se relacionar com pessoas dos mais distantes
 rincões desse nosso querido Brazilzão. 
Através da entrevista a seguir, todos nós vamos poder conhecer
 um pouco mais desse cidadão, que dedica boa parte de 
suas horas de folga para pesquisar e divulgar personagens
 e autores nacionais, sem receber nada em troca,
 num gesto de total dedicação.
Sua obra fantástica - que você pode baixá-la gratuitamente
 pela WEB -, já faz parte da história das HQs nacionais,
 sem sombra de dúvida. Bevemente, queremos vê-la impressa, 
em nossas estantes, o lugar ideal para se preservar 
e rever um grande trabalho.
Confiram, a seguir, esta fantástica entrevista desse homem, 
sempre atencioso com os amigos, e que se dedica 
totalmente, de corpo e alma,  ao mundo das HQs!
Confiram!

ENTREVISTA COM LANCELOTT 
BARTOLOMEU MARTINS





Tony: Eu te conheci através do Facebook, há pouco tempo. 
E já me tornei seu fã. Você é uma verdadeira enciclopédia
 ambulante sobre HQs.
 De onde veio esta paixão por quadrinhos?

Lancelott: Quadrinhos fazem parte de minha 
vida desde pequeno... Lembro de uma senhora que 
cuidava da gente e tinha em seu baú umas 
revistas esmaecidas pelo tempo do Batman,
 Jim das Selvas e Fantasma que carinhosamente, 
lia e relia para nós antes de dormir... 
Era um tal de Batimão e Rubinho (sic)... 
E assim conheci Bob Kane,
 Alex Raymond e Lee Falk...


O Homem Morcego - de Bob Kane 

Nick Holms, outra criação de Raymond
Adicionar legenda
O genial Alex Raymond
Jim das Selvas virou série de TV e
teve vários longas metragens,
com o ator Johnny Weissmuller,
que foi o melhor Tarzan de
todos os tempos





Agente Secreto X-9 - Outra criação espetacular
de Alex Raymond, autor de Flash Gordon e
Jim das Selvas


O Fantasma, um clássico de Lee Falk


Tony: Você nasceu em que parte do Brasil?
Lancelott: Sou piauiense, nascí em Parnaíba
 na pequena costa de 75 km de litoral... 

Tony: Aos poucos descobri que você, além de
exímio pesquisador, também é muito 
om de traço. Fale-me sobre desenho...
 quando começou a desenhar?

Lancelott: Pois é... Uma brincadeira... copiava
 os traços daqueles mestres, reproduzindo seus
 personagens e tomei gosto por desenho mas,
 depois cheguei a lecionar desenho artístico 
(Lembra do Instituto Universal?) e desenho 
técnico nas escolas do SENAI. Depois, fazia
 fanzines por pura paixão, desenhava e 
roteirizava meus próprios personagens,
 a grande maioria, míticos e relacionados 
com lendas populares. 
O mais conhecido entre os fanzineiros  foi EXÚ 7 
(década de 80), que veio direto do panteão orissá...

Exú 7 - Criado por Lancelott

Tony: Foi professor do Instituto Universal? 
Caramba! Também fiz aquele curso deles... (Rss...). 
Uma frustração?

Lancelott: Acho que não tenho, apesar dos altos 
e baixos, sou muito resolvido com essa história 
de reconstruir-se sempre, coisa de
 minha linha espiritual...

Uma página do compêndio de Lancelott,
onde o autor relembra um clássico das HQs
nacionais:O Escorpião, de Wilson Fernandes.
Tony: Também penso como você. Um sonho?

 Lancelott: Ah, um sonho? Continuar feliz com esta
família maravilhosa que Deus me deu...

Tony: O seu compêndio (download free), sobre os super-heróis 
nacionais é o trabalho mais incrível que eu já vi! 
Como surgiu esta ideia? 
Quando começou a colocá-la em prática?

Um trabalho de resgate dos grandes personagens
criados no Brasil.  Uma página com
o Homem Fera
Lancelott: Sempre sentí falta de informações sobre 
nossa criações na web, como os gringos têm suas 
enciclopédias on line... Então, busquei em meu
 acervo e informações de colecionadores amigos 
e resolvi partilhar um pouco deste sonho de
 criança, postando minemônicamente sobre 
os personagens brasileiros mais no gênero
 herói/super-herói. 
Existem vários outros sub-gêneros que precisam 
ser abordados, como humor, infantil, etc.. 
Nasceu então, a idéia também de formatar um 
"compêndio", tipo um e-book, para download free 
com todos os posts hoje, com mais de 
1.000 downloads entre os servidores 4Shared
 e Mediafire. O e-book chama-se 
CATÁLOGO DE HERÓIS BRASILEIROS, e tem a 
apresentação de JJ. Marreiro. 
Por sua sugestão, estou reformatando o 
projeto para impressão...

Ao fundo: capa original da série
O Judoka. Em primeiro plano: o
herói numa leitura feita por
Lancelott
Tony: Foi através deste seu Catálogo de Heróis 
Brasileiros que acabei descobrindo uma porrada 
de heróis tupiniquins, que eu nem sabia que 
existiam... (Rsss...). 
Haja pesquisa. Como consegue levantar tantos 
dados sobre autores e personagens?

Lancelott: Tenho um pequeno acervo... Conto
 com amigos colecionadores, autores como
 você, dicas, indicações, uma boa rede...

Tony: Através dos nossos bate-papos, entre os membros
 da nossa confraria do Bengalas Boys Club (Rsss...), 
notei que você tem uma grande bagagem c
ultural. Isto é genético? Qual a sua formação?


Meia Lua, de Laudo Ferreira - A obra de Lancelott
não se restringe apenas a heróis do passado





Lancelott: Você sabe, quem faz parte da Confraria
 do Bengalas Boys, tem uma antiguidade 
imemorável, talvez seja isso (rsss)... 
Sou formado em Administração de Empresas 
mas por curiosidade fiz Teologia e Direito. 
Mas não sou pastor e ou advogado sou
apenas fã de quadrinhos...

O interessante é que o autor  redesenha cada um
dos antigos super-heróis com seu traço
dinâmico, nessa obra meticulosa

Tony: Profissão atual?

Lancelott: Bem...aposentado federal (rsss). 

Tony: Filmes preferidos?

Lancelott: Sempre gostei da leitura visual do
 Kurosawa, mas não esqueço dos Sete Samurais 
e da película de ficção científica do Ridley Scot -
 Blade Runner, meu cult...



Espectrum - De Elton Dias
Tony: Muito bom gosto. Pra mim, Kurosawa 
foi genial. Depois, os americanos fizeram uma 
versão deste clássico japonês para o Oeste,
Sete Homens e Um Destino... 
Astros e estrelas de Hollywood?

Lancellot: Aleatoriamente, assim na bucha!? 
Gosto de Dustin Hoffman, Ingrid Bergman,
 Al Pacino, Jack Nicholson, Paul Newman,
Marlon Brando, Peter O'Toole, Betty Davis,
 Harrison Ford, John Wayne e outra
 infinidade de estrelas...

Tony: Astros da música, nacional e internacional?

Lancelott: Gosto do Chico Buarque e turma... 
Sempre gostei de um rock clássico, Bill Haley,
 um dos meus preferidos...

Tony: Johnn Wayne?

Lancelott: Ah, o velho Marion Michael Morrison?! 
Sempre achei que John Wayne era um cowboy
 dele mesmo... Não posso falar de western no cinema
 sem ele, o cara marcou várias gerações...

Tony: Sem dúvida. John Wayne personificou a
 imagem do cowboy... Tex?

A obra deste meticuloso autor vem sendo feita
ao longo dos anos. Exigiu uma fantástica pesquisa nas
antigas edições lançadas no Brasil.
Acima: Super Heros, de Paulo Fukue -
editora Edrel, anos 60

Lancelott: Conhecí Tex como Texas Kid, no jornal 
O Globo, lembra?  Na época ele era um fora-da-lei... 
Um quadrinho italiano da melhor qualidade...

Tony: Super-heróis e mangás? O que acha deles?

Lancelott: Um mal necessário... (rsss) 'tô brincando
 a la Werthan. Acho que tudo que a mente humana 
produz é arte, é um referencial cultural pertencente 
a grupos, nichos, que encantam e seduzem
 (não no sentido do Wertham) a nossa sede 
fantástica pela aventura, pelo sonho, pelo
desconhecido... Acho que os quadrinhos em 
suas mais variadas formas de expressão 
artística são suficientemente maravilhosos, 
pois nos possibilita divagar e ponderar, às vezes,
 sobre o impensável... 
Os gêneros também são mercados criados por
 mega-eventos sem se preocupar com conteúdo... 
É complexo... Você viveu e vive estas nuances...

Tony: Você tá coberto de razão... Gedeone Malagola?

 Lancellot: Rick Starkey"?! Era um de 
seus pseudônimos... O Mestre Gedeone era 
delegado de polícia e, na minha opinião, 
foi um dos precursores do gênero terror 
no Brasil... Não esqueço de uma: 
" A Cabeça no Ar"... Este, carece de uma 
grande pesquisa e homenagem!

Tony: Mauricio de Sousa?


A Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa,
ganhou uma versão teen (a La Mangá), que
está fazendo um grande sucesso
Lancelott: Um empreendedor! Também, um dos 
caras que tentou lutar pelo quadrinho brasileiro
 com a ADESP, que aliás, tinha o dedo do Gedeone...
 É um exemplo a ser seguido como persistência e
 atitude... Tem gente que critica o Maurício 
mas é ciúmes...

O Vingador Mascarado, de Seabra, no
traço do autor (ao fundo), e na visão de
Lancelott (em primeiro plano)

Tony: Também acho. O cara brigou muito, ralou pra chegar 
onde está. Merece. Na sua opinião, o futuro das HQs 
será via WEB? Os gibis impressos tendem a acabar?

Lancelott: Acho que a WEB é um veículo novo que 
vai amparar as mais diversas formas de cultura de
 massa e os quadrinhos, como a música, os filmes 
deverão se enquadrar com mais esta via 
mercadológica. Tudo é mercado!
 Mas não vejo em um futuro recente qualquer
 possibilidade de substituição do meio 
impresso e ou mesmo sua extinção... Já existem
 empreendimentos de sucesso no Japão e nos EUA 
com esta neo possibilidade de ganhar dinheiro... 
Eu, como um autêntico Bengala Boy, ainda prefiro 
o cheiro da tinta, mas não posso deixar 
de acompanhar as 'ondas" como diria 
Alvim Tofler...

Tony:  As vendas de gibis, em todo o mundo caíram,
 desabaram vertiginosamente. O que pensa a respeito disso?

Lancelott: Bem, Tony, esta faceta você vivencia
 todo dia como produtor/editor...  O Brasil publica 
material licenciado, que por sua vez tem custos 
gráficos e a questão do dólar... É a macroeconomia... 
Pode parecer brincadeira mas, afeta tudo... 

Tony: Nunca pensou em editar ou vender para algum 
editor seu famoso Catálogo de Heróis?

Lancelott:Bem, na verdade só pensei nisto após 
nossos papos no face, quando você comentou... 
Depois, com os Bengalas Boys (rsss)... 
Em pesquisa recente, encontrei publicações
 semelhantes, com heróis nacionais, por exemplo,
 no Canadá. Após essa sinergia, passei a
 reformatar o projeto e vou tentar vender e 
ou conseguir um patrocínio para impressão.
 Estou fazendo contatos.
Tony: Não acha que os downloads free promovem
 os autores, mas também avacalham 
as vendas em bancas?

Lancelott:Existem limites... Mas, você acha que
 realmente influenciam as vendas nas bancas?!

Tony: Acredito que sim. Seus planos para o futuro?

Lancelott: O futuro a Deus pertence, diriam alguns, 
mas, acho que sedimentamos ele com nossas atitudes...
 Não almejo nenhum sucesso com o que faço.... 
Minhas pesquisas fazem parte de um sonho
 de criança... Só em conceder esta entrevista à 
você, um dos construtores do nosso 
quadrinho, me honra. Eu sou seu fã

Tony: Pois, então saiba que eu também virei seu fã, após
 analisar sua obra maravilhosa sobre os heróis 
tupiniquins... (Rsss...). Lancelott Bartolomeu Martins 
por Lancelott Bartolomeu Martins?

Lancelott: Sou só um fã de quadrinhos que 
bebeu nesta maravilhosa arte bons conceitos, 
boas influências e boas amizades... 





Tony: Valeu. Thanks, por esta entrevista.

Lancelott: See You Later, Cowboy.

Tony: All right, dear bengala friend! (Rsss...).
Valeu, mesmo! Muito sucesso!
À todos os nossos webleitores um imenso mano
amplexo, até a nossa próxima entrevista e
não deixem de visitar o blog do
Lancelott...

...e baixar e conhecer este
maravilhoso compêndio sobres
os super-herois brasileiros.
Uma obra fantástica. 
Participe, enviando seus heróis para
o autor. O que você está esperando?

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