terça-feira, 10 de março de 2015

GRUPO ABRIL QUER DETONAR EDITORES MENORES!

DGB LOGÍSTICA S\A 
(DO GRUPO ABRIL), DETENTORA DO MONOPÓLIO DA DISTRIBUIÇÃO NO BRASIL PODE SE TONAR UMA
AMEAÇA E DETONAR EDITORES
DE MENOR PORTE!



A crise de mercado que assola editores pelo mundo afora, 
inclusive no Brasil, país onde a maioria daqueles que editam insistem 
em não admitir as vendas minguadas, aos poucos estão sendo reveladas 
pelas mídias. Quanto maior a empresa, maiores são as dores de cabeça. 
Já algum tempo, as empresas do Grupo Abril. Vem operando no vermelho,
pois as vendas e os anunciantes de outrora andam sumindo gradativamente, 
as tiragens são reduzidas e os preços andam subindo desenfreadamente. 
Há tempos venho comentando sobre essa terrível fase negra que se abateu sobre os editores em gerais e a edição de ontem. Dia 9 de março do 
corrente ano, no jornal Diário de S. Paulo veio a público alguns editores no anonimato, fazer uma grave denúncia que há muito tempo vem se
desenrolando nos bastidores: A dura imposição do único distribuidor
existente no país.

A COISA COMEÇOU BEM ANTES
Primeiro houve um boato que um grupo da áfrica do sul tinha comprado 
boa parte das ações da então poderosa editora Abril. Há quem afirme 
que foi com o dinheiro deles que adquiriram a Fernando Chinaglia 
Distribuidora, que era a segunda maior do país. Para disfarçar o 
monopólio criaram a Treelog (do Grupo Abril), mas mantiveram duas 
marcas distintas até pouco tempo nas bancas. Ou seja, aparentemente continuávamos a ter duas distribuidoras. Mas só aparentemente
(Dinap e FC Distribuidora). O monopólio já vem existindo, 
disfarçadamente, há alguns anos.





PROPOSTA INDECENTE
O referido jornal que citei acima, hoje trouxe uma matéria bombástica:
Um grupo de editores que não quiseram se identificar, temendo represálias, decidiram revelar que a DGB Logística, empresa do Grupo Abril, que detém 
o monopólio da distribuição de revistas no país, deseja impor aos pequenos e médios editores, que dependem deles, um estranho e ilógico meio de repassar
o valor das vendas auferidas por suas publicações: pagamentos apenas
4 meses após a arrecadação da verba das vendas.



HOLDING QUER SE CAPITALIZAR ÀS CUSTAS DE EDITORES MENORES
Essa proposta indecente pode parecer piada, mas é fato. 
Esse sistema ilógico, com certeza, quebraria grande parte das casas
editoriais que dependem desses pagamentos para honrar
seus compromissos.


SAIBA COMO
SURGIU A DGB
 A DGB, passou a existir a partir de 2007 e que foi criada pelo Grupo Abril, 
após a fusão da Fernando Chinaglia com a Dinap (Distribuidora Nacional
de Publicações, que também pertence também a Abril), atualmente 
monopolizou o setor no país, indo contra as leis vigentes do país que 
proíbem o monopólio. Mas, pelo visto, o poder do capitalismo fala mais 
alto, num país que nunca foi sério.
Enfim, com a fusão das duas únicas distribuidoras que existiam no país - 
visto que as muitas que existiram no passado sucumbiram -, para os 
editores de menor porte a coisa ruim. Estão nas mãos do Grupo Abril
que tem a editora Abril a maior concorrente.
Já tive três casas editorias que acabaram falindo e grande parte 
desses verdadeiros fracassos, posso atribuir a má distribuição e
até ao desinteresse por parte do distribuidor de trabalhar melhor os
repartes dos pequenos e médios editores. Ao longo dos anos tomei  conhecimento de que muitos produtos, de outros distribuidores, que
concorriam diretamente com os segmentos explorados comercialmente 
pela editora Abril, simplesmente ficavam nos depósitos. 
Apenas uma pequena parcela a para os pontos de venda. 
Quando algum editor reclamava por não ter visto sua publicação 
espalhada pelos pontos de venda eles alegavam que os jornaleiros 
não quiseram pegá-la.

Outra coisa importante: Quando um editor levava um produto sem muita importância, o departamento de marketing rapidamente o aconselhava 
a rodar 15 ou 30 mil, rapidamente. Porém, quando o produto era diferente
e relevante, levavam meses para dar o OK. Com certeza o boneco 
apresentado devia ir parar para o departamento de produção da Abril para “copiarem a grande ideia”, que em geral surgem dos pequenos e médios
editores. De repente, para a surpresa da vítima (editor), a Abril lançava 
o mesmo tipo de produto, em cores, a preço mais acessível.
Conheci um editor que, aproveitando a vinda dos Rolling Stones ao 
Brasil, para um show, imprimiu uma porrada de revistas posters, enviou
para a DINAP e 30 dias depois recebeu os pacotes tal como havia saído da gráfica. Ou seja, não foram mexidos para o produtos serem distribuídos
no pontos de vendas. Deve, com certeza, ter ficado estocado no depósito
deles, principalmente porque a editora do Grupo Abril também tivera 
a mesma ideia e lançou uma revista pôster, ou coisa parecida.
Há alguns anos atrás, levei um novo projeto, um boneco 
(denominação que damos a um protótipo (a edição xerocada e montada) 
tal qual será a futura edição) para uma reunião na DINAP. 
O cidadão que me atendeu examinou, examinou e me disse: 
- Hmmm... Uma revista de curiosidades... curiosidades... esse tipo de
 revista não vende, o senhor não sabe?
Então retruquei: - Superinteressante não é uma revista de curiosidades?
Ele deu um sorriso amarelo e mudou de assunto.
Captei a mensagem: Eles não queriam concorrente.




BATER DE FRENTE COM ELES?
NEM PENSAR...
Coitado daquele que apresentar um projeto que bata de frente com
a revista Veja ou Pato Donald. Estará lascado, para não dizer outra coisa.
Basta ver o que fizeram com O Pequeno Ninja. Instigaram o editor
“zoiudo” a fazer 300 mil até que ele afundasse em dívidas.
Outro caso interessante, foi quando a editora Saraiva – especializada
em livros – decidiu lançar Barbapapa, uma serie infantil que era exibida 
na TV -  e recorreu a DINAP para distribuir as revistas. Foram incentivados a fazer tiragens astronômicas e acabaram ter que sair das bancas, devido ao fracasso de vendas, mesmo colocando outdoors espalhados pela cidade. Problema: Péssima distribuição.
É fato que, distribuir num país de dimensões continentais como o nosso
não é tarefa fácil, mas usar de artifícios desleais para evitar a 
concorrência é pura sacanagem.







Também conheci um editor maluco que ousou criar uma
publicação de csto caro que, supostamente podeira
concorrer com a revista Veja. O homem tinha um contrato
com a DINAP. Mandou imprimir, na hora "H" se recusaram
a distribuí-la. O coitado deve estar até hoje pagando
dívidas e respondendo processos do Sindicato dos
Jornalistas de S. Paulo.


INGENUIDADE DOS PEQUENINOS


Há alguns anos fizemos uma reunião de editores e dentre estes 
estavam alguns, como eu, que costumo chamar de “editores falidos”. 
Gente que entrou no mercado de forma ingênua,e que quis jogar limpo 
e se deu mal. Daí indaguei aos falidos que estavam presentes:
Se vocês fossem a Ford dariam seus automóveis para a Volksvagem 
distribuir seus carros?
Obtive como resposta em uníssono: É óbvio que não!
- Então – completei -, por que damos nossas mercadorias para
a nossa maior concorrente distribuir? Que interesse ela tem 
em nos fazer crescer? Virar uma forte concorrente?
Sempre usaram, nós, os pequenos e médios editores, para minimizar 
o custo de distribuição deles. Ou alguém ingenuamente acredita que
pensaram em ajudar “os coitadinhos”, em algum momento? 
Isto é utopia. Business são business. No comércio, desde que o mundo imperou a lei do mais forte.
A coisa degringolou após o monopólio, por que agora os editores
não têm mais opção, na têm mais para onde correr. São obrigados a 
aceitar a imposição que lhes é empurrada goela abaixo. 
Ou aceitam as condições ou estão, literalmente, mortos.

MERCADO ALTERNATIVO
EM FRANCA EXPANSÃO



Não é a toa que nos últimos anos cresceu muito o chamado 
“Mercado Alternativo de Distribuição”. Esse sistema, que já existia,
foi ampliado quando os editores viram suas vendas minguarem para
15% ou 20%, margens sofríveis de índices de venda que mal pagam 
os custos operacionais. Daí resolveram se mexer e passaram a oferecer produtos, com preços mais em conta,  diretamente para as bancas 
ou para distribuidores regionais.  
No passado quando um editor que tinha um contrato de distribuição 
exclusiva para todo o Brasil, com uma distribuidora, e ele ousava espalhar
alguns repartes em pontos de vendas era severamente repreendido e 
até podia ser expulso do sistema de distribuição.



A SENHORA DA SITUAÇÃO
Atualmente, a única distribuidora do país impõe as regras do jogo. Pedem tiragens ínfimas, apresentação gráfica de primeira e preços aviltantes.
E, quem paga o pato é o leitor, que ao perceber a sacanagem simplesmente deixou de comprar.
Ainda segundo a matéria do Diário de S. Paulo, os editores menores 
passaram a questionar essa fusão ao perceberem que estavam nas
mãos do Grupo Abril, que há anos lidera o mercado editorial nacional
de revistas e decidiram recorrer ao CADE (Conselho Administrativo de defesa Econômica), um órgão do Ministério da Justiça. Entraram com pedido de impugnação. Na minha opinião esses editores demoraram para acordar.
O que estavam esperando? O “barraco” cair?
É óbvio que essa estranha e inexplicável fusão – ouvi dizer que a Fernando Chinaglia estava falida, uma afirmação absurda que talvez devesse ter uma auditoria-, dá a Abril 100% do monopólio do mercado, provocará inadimplência, quebradeira, eliminado os supostos concorrentes, além de imensos 
prejuízos de ordem social.

PROTESTOS ENVIADOS AO CADE
Diante da argumentação dos editores, o CADE determinou uma medida 
cautelar ao Grupo Abril, impondo, entre outros intens, a obrigação de
não fazer qualquer alteração brusca em suas transações econômicas
com os editores, seus afiliados, sem dar explicação lógica e detalhada
ao conselho do órgão relator.














OPINIÃO ABALIZADA
Consultei uma amigo editor, tão experiente quanto eu, sobre o polêmico
caso, e ele afirmou: “Tony, eles estão quebrados, faz tempo! Você sabe... Querem nos retaliar comercialmente para criar sólida estrutura financeira,
que perderam, com o nosso dinheiro! Está na cara! Quem vai aguentar
esperar esses repasses que só sairão 4 meses depois do recolhimento
da mercadoria? Sem o dinheiro para girar não vai sobrar ninguém. 
A não ser eles, é claro! Isso é pura sacanagem!
Segundo a matéria do Diário, seus jornalistas tentaram colher depoimentos
sobre o assunto com o presidente da DGB e da DINAP, porém não deram qualquer satisfação sobre o caso.
Os repórteres ao tentar colher alguma declaração do presidente da ANER (Associação nacional dos Editores de Revistas), sobre o que a DGB Logística desejava impor aos editores, ele também nãos e manifestou. 
Preferindo não comentar o evidente abuso de poder.      



 O PODER DO CAPITALISMO
Após admitir, depois de uma análise profunda, que haveria um 
monopólio de distribuição de revistas de 100% em prol do Grupo Abril, 
após a fusão Dinap\Chinaglia a Secretaria de Acompanhamento Econômico
do Ministério da Fazenda (SEAE), enviou um relatório ao CADE, prevendo 
uma estrangulação do mercado e a extinção dos pequenos e médios concorrentes (editores).
Apesar disso, o pessoal do CADE decidiu pela fusão recomendando uma aprovação condicionada à assinatura de um Termo de Compromisso de Desempenho no mercado editorial nacional que possa garantir o não
abuso de poder da empresa que domina o segmento editorial no Brasil.
Bem, se os acertos com os editores, que já operam no vermelho, em 
sua grande maioria, continuarem como estão hoje. Menos mal.
Mas, se vingar a proposta indecente muitos editores afundarão,
literalmente, num mar de dívidas, gerando desemprego em massa dos trabalhadores desse setor, mais ainda. A própria Abril já mandou cerca
de 700 pessoas (funcionários) para a rua.
O que não dá para se conformar é com as palhaçadas que acontecem 
nesse país: Como pode um órgão governamental admitir que o monopólio é prejudicial aos demais concorrentes e o outro aprovar a fusão? 
Com certeza, esta foi mais uma piada de mal gosto, infelizmente.   
Só nos resta observar para ver que bicho vai dar.
 Mas, uma coisa ficou certa: 
Mais uma vez o poder do capitalismo venceu!

Por Tony Fernandes\Estúdios Pégasus\Redação.
Uma Divisão de Arte e Criação da
 Pégasus Publicações Ltda –

São Paulo – SP - Brasil