segunda-feira, 30 de março de 2015

FERNANDO DIAS DA SILVA - TRIBUTO



Definitivamente, o ano de 2012 não foi um dos anos 
mais felizes para os quadrinhos mundiais. Perdemos alguns artistas de gabarito, 
dentre estes se foram: Joe Kubert, Sheldon Moldoff, Edmundo Rodrigues e
o grande Fernando Dias da Silva. A matéria a seguir é um tributo a um dos 
grandes mestres dos quadrinhos brasileiros, que jamais deve ser esquecido, 
seu nome era...

FERNANDO DIAS DA SILVA,

O DESENHISTA QUE

CONQUISTOU A AMÉRICA

(Homenagem Póstuma)!




O INÍCIO DE CARREIRA

Ele nasceu em São Luís, no Maranhão, no dia 25 de junho de 1820.
Certo dia, decidiu vir tentar a sorte trazendo sua arte para o Rio de Janeiro, 
cidade que na época ainda era a Capital Federal do Brasil. Morando na Cidade 
Maravilhosa o talentoso artista, após exibir seu portfólio, teve seu talento 
reconhecido e pouco tempo depois ele estava fazendo parte da equipe de 
equipes de criação de diversas agências de publicidade, como: J.W. Thompson,
 McCann-Erickson e da Grande Adversing, onde desenvolvia anúncios e 
campanhas publicitárias.  O início de sua carreira artística no mundo das
 HQs aconteceu em janeiro de 1938,  data em que foi publicada sua
 primeira  história em quadrinhos, cujo título era:  O Enigma das Pedras
 Vermelhas. Essa HQ foi editada pelo saudoso Adolfo Aizen, na edição
 do Suplemento Juvenil # 48. Além de Fernando, vários desenhistas nacionais
 também passaram por aquela publicação: J. Carlos, Monteiro Filho, Queiroz,
 Théo, Santa Rosa, Yantok, a escritora Tarsila do Amaral, Antonio 
Euzébio, Carlos Thiré, Belford e Gutemberg Monteiro.









AS AVENTURAS DO VINGADOR



Fernando Dias da Silva se estabilizou profissionalmente e
 financeiramente no Rio de Janeiro e ganhou notoriedade ao desenhar, 
em 1940, As Aventuras do Vingador, um herói oriundo do rádio, criado por 
José Whitaker Penteado e produzido por Péricles do Amaral.
 Esse personagem causou muita polêmica na época. Muito se falou, 
que ele era uma cópia do The Lone Ranger (Zorro, no Brasil), criação
Mor de  Fran Striker, Como o ranger mascarado americano, o mocinho
brasileiro também tinha um cavalo branco chamado Blackie e um fiel escudeiro
índio, cujo nome era Calunga. Suas aventuras eram transmitidas pela rádio
Tupi, de segunda a sábado, das 17h45m às 18 hs e o programa era patrocinado 
pela poderosa Colgate\Palmolive (Unilever), obviamente numa bela jogada 
publicitária e promocional. O interessante é que aquele vingador do Oeste tinha 
um fã clube, com distintivo confeccionado em aço esmaltado e em cores. 
Além disso, os jornais da época publicavam um cupom, em que os novos sócios 
tinham que cumprir um juramento: “Juro ser sempre honesto e defender os
fracos contra os fortes!” Também havia um jornalzinho mensal de seis páginas
com as aventuras do vingador exclusivamente para os associados, 
desenhadas por Fernando Dias da Silva. Nela, vinha incluso uma 
senha secreta, que permitia aos sócios se identificarem entre si, e
que era trocada todos os meses. E mais: Quem colecionasse 
dez embalagens (fitas) do sabonete Palmolive  ganhava um desenho 
exclusivo do herói.












SURGE O CAPITÃO ATLAS

A partir da edição # 5, o mesmo artista assumiu a direção artística da revista 
Capitão Atlas, outro herói que surgiu num programa radiofônico também 
criado por Péricles do Amaral, fazendo algumas modificações tanto no
 herói como na revista. O Capitão Atlas é considerado o primeiro herói 
brasileiro a ter a sua própria revista. Seu lançamento ocorreu no dia 28 
de fevereiro de 1951, pela editora Ayroza. O personagem foi criado 
baseado em Jungle Jim (Jim das Selvas), de Alex Raymond, e tinha 
como companheiros de aventuras sua namorada, Rainha, o índio Chico,
um cangaceiro chamado Tunicão e um jovem chamado Quati. Todas as
histórias se passavam na floresta. Essa serie ficou famosa e também
 acabou passando pelas mãos de diversos artistas brasileiros, como: 
Getúlio Delphin, Ernesto Garcia, Luiz Vasquez, André Le Blanc,
 Fernando De Lisboa e por Fernando Dias da Silva.















RUMO AOS ESTADOS UNIDOS



Em 1959, Fernando Dias da Silva, com sua família, chegou na América,
 pois sonhava em trabalhar para as agências e Syndicates daquele país.
Assim, foi morar nos subúrbios do norte de Chicago. Aos poucos, devido ao
valor de suas artes, foi conquistando admiradores e assim acabou se
tornando um ilustrador comercial e um pintor bem sucedido. Algum tempo
 depois, estava fazendo ilustrações para livros e HQs sindicalizadas. 
Entre 9 de junho de 1980 a 7 de julho de 1984 desenhou tiras para uma 
serie chamada  Rex Morgan M.D.,  assinando Da Silva. 
Esse curioso personagem, que teve diversos desenhistas,
foi criado pelo psiquiatra Dr. Nicholas P. Dalls, sob o pseudônimo de 
Dal Curtis. Essas HQs giravam em torno do personagem central, 
Dr. Rex Morgan, que, segundo o roteiro, em 1948, após ter se mudado 
para uma pequena cidade fictícia chamada  Glenwood, acabou assumindo
 o lugar de um amigo falecido. Para ajudá-lo com os diversos problemas 
médicos que surgiam, ele passou a contar com o auxílio da enfermeira June
Gale. Em 1955, Morgan e Gale se casaram. Há quem afirme que 
esse foi o primeiro casamento que aconteceu numa serie de HQ.







Rex Morgan foi publicado no Brasil pela editora Garimar em 1959
e suas tirars sairam no jornal O Globo nos anos 60 e 70




ALEX RAYMOND

Naquela época, desenhistas como Raymond, Foster, Hogarth, Frazetta e 
outros bambas dos comics ainda estavam a todo o vapor no mercado
editorial americano. Fernando Dias da Silva, se espelhava neles e, 
principalmente, no estilo elegante e marcante de Raymond.
Em 26 de julho de 2004, o desenhista brasileiro, um dos pioneiros a 
conquistar o mercado americano de HQs, enviou uma carta para o
amigo Cid Magdar Marinho, contando entre outros assuntos, que
o grande Alex Raymond , por encontrar-se sem tempo, tinha convidado 
ele para desenhar as páginas dominicais em cores de Rip Kirby 
(Nick Holmes, no Brasil). Mas como ele e família estavam com 
visto de visitante nos Estados Unidos tiveram que regressar ao Brasil,
para obter um visto de permanência definitiva em seus passaportes,
sem o qual ele não poderia trabalhar nos Estados Unidos. 
Assim, ele decidiu retornar ao Brasil, na expectativa de ajeitar a 
papelada. Foi nesse entretempo que ele recebeu a triste notícia do 
acidente fatal que vitimou Alex Raymond. Lamentou o fato da morte
daquele grande mestre e ficou frustrado ao saber que John Prentice 
acabara de assumir a continuação das tiras de Rip Kirby. 
Seus sonhos de viver definitivamente fazendo HQs na América, 
por alguns instantes, se dissiparam. 



Em Rip Kirby, Raymond mostrou um estilo totalmente novo, bem
diferente das suas artes em Flash Gordon









UM HERÓI CHAMADO VIC BRETT


Apesar do impacto das últimas notícias que recebera da América, 
ele não desanimou. Ajeitou as papeladas e com um visto de 
residência foi morar nos Estados Unidos, ciente de que aquele
era o país ideal para viver de HQs.  Em 1990, ele já estava morando 
nos Estados Unidos. Assim, o desenhista brasileiro resolveu correr atrás
de seus ideais, apresentando seu portfólio.
Como seus trabalhos já eram conhecidos no mercado americano não teve
dificuldade em procurar a King Features e apresentar a eles um novo
projeto editorial. Em comum acordo com o pessoal da King criou e 
desenvolveu umas tiras de um personagem de sua autoria chamado 
Vic Brett, mas, por falta de sorte, os jornais da época já não se
interessavam mais por publicar  tiras de aventuras em continuação.
Preferiam as series cômicas, cujas ideias eram fechadas em três
quadrinhos.  Assim, o projeto foi cancelado. 

Dotado de um grande poder de determinação, ele não desanimou
e foi procurar outras casas editoriais. Pouco tempo depois, 
passou a colaborar com diversas editoras americanas, inclusive para
a poderosa  DC. Porém, já não conseguia faturar tão bem 
quanto antes visto que as tiras de jornais sempre foram melhor
 remuneradas. para ele, aos poucos,  as histórias em  quadrinhos 
estavam se tornando coisa do passado.


UM ARTISTA A MENOS

NO MUNDO DAS HQs

Fernando Dias da Silva, sempre foi um artista que gozava de boa saúde. 
Durante toda a sua vida se dedicava a pratica de exercícios físicos. 
Era fisiculturista. No Brasil, exercitava-se no Clube Força e Saúde.
Os anos de treinamento lhe deram um belo físico. Apesar disso, nesse
período em que residiu na América começou a sentir os primeiros problemas 
na coluna vertebral, tendo que se submeter a duas cirurgias. 
Após essas intervenções cirúrgicas, ele passou a ter dificuldade para andar.
Devido a esse acontecimento inesperado, mudou radicalmente sua forma 
de viver, se isolou dos acontecimentos sociais e passou a se dedicar quase
que exclusivamente a pintura. Mesmo assim, seus trabalhos apareciam 
regularmente na revista Playboy, na Enciclopédia Britannica, na World Book
Encyplopedia e no jornal Chicago Tribune.

Apesar de continuar morando no subúrbio de Chicago, continuou  pintando 
e expondo suas obras, esporadicamente, em galerias de arte. 
Era um trabalhador incansável e adorava aquilo que fazia.
Fernando Dias da Silva, infelizmente, veio a falecer no dia
5 de março de 2012, em Cape Coral, na Flórida, nos Estados Unidos.
Partiu dessa vida para a melhor, mas nos deixou um incrível legado.
Atualmente, há muitos brasileiros colaborando com editoras da América. 
Entretanto, naquela época em que a comunicação com o exterior 
era mais difícil, e que não existia Internet, eram raros aqueles que 
conseguiam tal feito. 
Ele foi, como já foi dito, um dos pioneiros que conseguiu, graças ao
seu enorme talento, fazer as portas das editoras americanas se abrirem 
para os desenhistas brasileiros.
Como costuma dizer Tony Fernandes: “Que esse grande mestre do traço, 
os deuses o tenham em bom lugar, na morada dos gênios das HQs. 
E, que a alma desse grande guerreiro, descanse em paz. Que assim seja!”
Amém!



Por Edno Rodrigues

Fontes de pesquisa:
O Grupo Juvenil, Porto Alegre, ano 1, Nº 2, pág 17, dezembro de 1983
E ano 2, nº 4, pág 16, agosto de 1984. Guia dos Quadrinhos\
Antonio Luis Ribeiro, Portal do gibi Nostalgia\Coisas do
Barwinkel\José Queiroz\2012 e
Cid Magdar Marinho\Facebook.
        
Copyright 2015 – Edno Rodrigues\Tony Fernandes –
Redação\Pegasus Studios – Uma Divisão de Arte e
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OBS: As imagens e desenhos contidos nesse tributo são meramente
ilustrativos. Seus direitos pertencem a seus autores, parentes ou

representantes legais.