sábado, 15 de novembro de 2014

FANTOMAS, UM ANTI-HERÓI MEXICANO! Matéria especial!








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Na década 70, muitas revistas em quadrinhos, 
nacionais e internacionais, eram publicadas no Brasil.
 Casas editoriais como a Rio-Gráfica e Editora (atual Globo), 
a Editora O Cruzeiro e a lendária Brasil-América, de 
Adolfo Aizen, (todas da cidade do Rio de Janeiro) 
dominavam o mercado nacional. Enquanto isso,
 editores de menor porte, da cidade de São Paulo,
 se aventuravam soltando alguns títulos de HQs
 nacionais, enquanto a poderosa editora Abril mantinha
 firme inúmeros títulos com os personagens Disney. 








O mercado estava aquecido e nós, os leitores 
de Hqs, estávamos viciados nos quadrinhos
 americanos que rapidamente evaporavam das
 bancas, principalmente os coloridos.
 Nessa época, a Rio-Gráfica lançava títulos como:
 Mandrake, Fantasma, Flash Gordon, Fix e Fox,
 entre outros.











 A editora Brasil-América publicava,
 Batman, Superman, Legião dos Super-heróis,
 Capitão América, Flash, Gavião Negro, 
Homem de Ferro, Thor, Hulk, Namor, o 
príncipe submarino, O Demolidor (Daredevil), 
Quarteto Fantástico (Fantastic Four), Homem-Aranha,
 Os Três Patetas, Jerry Lewis, Turma Titã,
 Dr. Solar, o Homem átomo, Elektron, etc.















 Enquanto a editora O Cruzeiro publicava Brasinha,
 Riquinho, Brotoeja, Bolota, Gasparzinho, 
Os Flintstones, Os Jetsons, Pepe Legal, 
Heróis Hanna-Barbera, alguns títulos de 
combate, etc. Enfim, havia um verdadeira 
avalanche de quadrinhos Made in America
 em nosso país, naquele tempo jurássico. 





Certo dia, quando fui à banca mais próxima
 tive uma surpresa, pois a editora EBAL 
(Brasil-América) tinha lançado um título 
totalmente diferenciado daqueles que estávamos 
acostumados a ler, isto me chamou a atenção
 por seu estilo diferente e seus desenhos
 arrojados que apresentavam belas mulheres. 
Foi assim que, por curiosidade, comprei
 a primeira edição de...

FANTOMAS, 
A AMEAÇA ELEGANTE!


Aquela era uma HQ, de fato, muito diferente
 das revistas em quadrinhos feitas nos Estados
 Unidos que eu estava acostumado a comprar, 
porque o protagonista não era um herói. 
Era um anti-herói.
Algum tempo depois fiquei sabendo que
 aquela serie, que tinha desenhos sensacionais
 e roteiros bem elaborados, era produzida no
 México. Seus desenhos incríveis, em preto
 e branco, eram do mestre Ruben Lara Romero,
 e as histórias eram escritas pelo genial 
Guilhermo Mendizal. 

Animê do Japão -  também tinha um Fantomas





Apesar da boa qualidade do gibi a serie
 durou apenas 14 edições, no Brasil.
 Porém, no México, Fantomas marcou época.
 Nesse país, esse personagem se tornou muito
 popular, fez um grande sucesso e ficou
 conhecido como A Ameaça Elegante.

UM ANTI-HERÓI DE VERDADE





Fantomas era um audacioso aventureiro, um
 ladrão sem face, que atuava somente na alta sociedade. 
O personagem usava uma máscara branca
 apertada e se transformava em várias pessoas.
 Enfim, era o rei dos disfarces. Em seu país
 de origem  as HQs de Fantomas, que foram 
baseadas numa serie de contos de folhetins
 franceses criados pelo excelente e criativo 
escritor chamado Marcel Allain (1885-1914), 
se tornaram clássicas. Essa versão mexicana,
 em quadrinhos, foi lançada pela Editorial 
Novaro e se tornou um grande sucesso.  
       
NA FRANÇA


Fantomas - O Filme
Foram feitos diversos filmes desse personagem








Neste país, Fantomas se tornou um dos 
personagens mais populares do gênero policial.
 Ele foi criado em 1911, em forma de literatura
 e teve 32 livros publicados. As aventuras desse
 misterioso mascarado foram por diversas
 vezes adaptadas para o cinema e para a TV. 
Seu sucesso foi tanto que suas aventuras, de
 imediato, foram lançadas no formato histórias
 em quadrinhos. Assim, a serie ganhou 
notoriedade e seus livros se tornaram
 best sellers do gênero ficção policial, graças
 aos seus roteiros diferenciados. 
Em forma de gibi, esse personagem diferente
 também deu certo, graças aos roteiros criativos
 e seus desenhos, que apresentavam esse
 novo e misterioso personagem, que era uma 
espécie de transição entre os vilões das novelas
 góticas do século XIX e os seriais killers 
da literatura moderna.

A VERSÃO MEXICANA





A revista Fantomas, de quadrinhos editados
 no México, apresentava um anti-herói que 
diferia em alguns aspectos do original francês,
 porque fazia roubos espetaculares, não porque
 precisava de dinheiro, roubava, apenas, para
 desafiar as autoridades e se vangloriar por ter
 superado as barreiras, as dificuldades, numa 
série de missões quase impossíveis.
O interessante nessas HQs é que o resultado
 desses roubos espetaculares era convertido em
 fundos para combater a pobreza, os 
miseráveis, e para ajudar universidades e
 bibliotecas. Agia com uma espécie de Robin
 Hood moderno. Ou seja, roubava dos 
ricos para dar aos pobres.

UM PERSONAGEM MISTERIOSO







Mas, quem era Fantomas? 
Qual era sua identidade secreta, na sociedade? 
Os leitores viviam se perguntando.
 Sua verdadeira identidade nunca foi revelada 
e ele sempre era perseguido pelo inspetor de
 polícia chamado Derard. Geralmente, Fantomas
 se apresentava como um milionário, proprietário
 de várias empresas poderosas sob falsas
 identidades. Seu quartel general, que era secreto
, ficava nos arredores de Paris. 
Também possuía um esquadrão que o ajudava 
a pregar peças nos policiais, mulheres 
sexies e deliciosamente desenhadas. 
Esse esquadrão feminino era chamado de:
 As 12 Garotas do Zodíaco.

UM PERSONAGEM SOCIALISTA






A versão mexicana apresentava um personagem
 socialista e altamente autruísta. Combatia a
 riqueza ilícita em prol dos necessitados.
 Seus roteiros eram escritos sob o prisma 
intelectual dos anos 70. Denunciavam o 
acúmulo de riquezas, o racismo e a politicagem 
corrupta internacional, que provocava as guerras.
 Ele lutava, inclusive, contra a privatização 
e globalização. Em suas edições especiais, 
seus roteiros citavam obras de filósofos e 
escritores como Jorge Luis Borges, Julio
 Cortázar e Jean Paul Satre.

JAMES BOND E DIABOLIK








Diabolik - O Filme
Por um breve período as aventuras de Fantomas,
 o homem dos mil disfarces, a ameaça elegante
, um personagem que tinha contato com os 
maiores magnatas do mundo, foram influenciados
 pelos filmes de James Bond e pelos 
quadrinhos italianos da serie Diabolik, ambos
 faziam muito sucesso na época. Assim como
 Batman, da DC Comics, este misterioso
 personagem mascarado também contava 
com um imenso arsenal tecnológico à sua
 disposição que o ajudava a suplantar os 
obstáculos em suas investidas 
espetaculares para roubar. 

Infelizmente, no Brasil, a serie teve breve
 duração e, atualmente, suas preciosas 
edições, são vendidas a peso de ouro,
 ou disputadas por colecionadores.
 Por infelicidade não tenho mais nenhuma 
dessas belas edições em meu acervo. 
Mas, quem desconhece esta serie incrível
 deveria procurá-la. Vale a pena. Talvez ainda
 seja possível encontrar um ou outro 
exemplar perdido num sebo qualquer da vida. 
Vamos ter que garimpar, pacientemente.

Por Tony Fernandes

Redação\Estúdios Pégasus – Uma Divisão de
 Arte e Criação da Pégasus Publicações Ltda –
São Paulo – SP – Brasil
e-mail: tonypegasus@hotmail.com